Maternar
Tudo aquilo que não tive, eu teria de inventar ser para alguém.
No fundo, a maternidade é o caos mais doce que alguém pode experimentar.
Mudança de cidade, de prioridades. Nova escola. Acolhimento. Crianças crescem. Novas demandas. Cachorros envelhecem (rápido demais). A urgência de aproveitar os dias. Vencer o cansaço. Paciência. Resiliência.
Quer saber se uma criança está bem? Pergunte primeiro se quem cuida dela “tá suave”.
Meu irmão era querido, elogiado e convidado para tudo pela vizinhança, por ser simpático e esperto. Já eu era vista como sem graça, antipática, lerda. Eu nem sabia brincar na rua com as outras crianças — porque eu não sabia que era criança. Eu não me encaixava.
O berço estava vazio. E, ainda assim, era o lugar mais cheio da casa.
Ser mãe é muito mais do que ser doadora de vida, é praticamente viver a vida do outro.
“Quero conquistar o mundo, dentro do meu quarto e se possível com a refeição em dia” é o lema desses grandes filhotes.
Se mães são humanas, por que, depois que o filho nasce, a mulher precisa desaparecer para se tornar um ideal inalcançável?
Uma folha em branco, repleta de marcas escritas a mão, com letras cursivas, forma e impressa. As mãos que não
Não por vontade, mas por um desígnio indecifrável. Viemos ao mundo arrancados de um silêncio anterior à linguagem, jogados num
As brincadeiras eram diversas, não havia TV, internet, nem mesmo telefone fixo, quanto mais celular! Brincávamos de: Casinha: arrumávamos um
A manhã chegava de mansinho e, junto dela, uma nova vida, a magnitude da existência em meu ser, somos duas
Outro dia, li um post que dizia que flamingos perdem a cor rosa enquanto criam seus filhos, pois o processo
Lembro vagamente, mas parece que havia um fogão a lenha dentro da cozinha, depois um outro no quintal de baixo…
Criar filhos não é nada fácil. Criar filhos do jeito que a gente quer ou planeja é algo ainda maior
Criar filhos não é como programar um robô: não tem manual, não tem modo operatório, não tem fórmula e não tem guia. Não são algoritmos.
No reflexo brilhante da tela, vejo meu filho.Seus olhos, tão curiosos, exploram o universo digital com a naturalidade de quem
Joguei fora as listas e, com elas, joguei algumas esperanças, porque desistir, minha irmã, é reconhecer que aquilo não serve, é querer mais, é desapegar-se para permitir que o novo se abra. É aceitar-se.
Ah! Então, eu preciso estar chorando para não estar bem? E gargalhar para que esteja feliz? E mais, algo de muito ruim precisa ter acontecido para que eu não me sinta bem? Mãe, você, às vezes, é estranha.
Quando era pequena, olhava para as mulheres à minha volta e sentia falta de sorrisos, alegria. Não entendia porque era
Acabo de ler Antígona, criação de Sófocles, dramaturgo da Antiguidade clássica. Como bem sabem, Antígona é a heroína da desobediência.
“Oração para desaparecer” e “Mas não guardo rancor”. À primeira vista, sem interseções, a não ser minha leitura quase paralela
Por: Bárbara N Rocha – @tragicronicasdamaternidade. 40 dias após o parto, o médico diz que posso voltar às atividades normais.
Já se passaram todos os aniversários e todas as celebrações mais importantes nesse primeiro ano sem você. Foi um ano
A palavra isolamento tinha outro sentido, ou talvez, agora fizesse verdadeiro sentido. A improdutividade a atingia de uma maneira brusca.