Ao longo de quase três décadas, construí uma carreira sólida no setor agroindustrial — um ambiente desafiador, onde ser mulher sempre foi mais exceção do que regra. Sou engenheira de formação, e hoje olho para trás com orgulho da jornada feita com competência, entrega e propósito.
Desde o início, entendi que a liderança vai muito além de alcançar metas e resultados financeiros. Ela se constrói no reconhecimento do valor das pessoas, no cultivo de relações de confiança e na formação de novos líderes capazes de transformar o setor. Já estive de capacete em campo, de salto em reuniões estratégicas, e, em muitos momentos, simplesmente de pé — pronta para fazer o que precisa ser feito com respeito e clareza.
Minha trajetória me ensinou que o diferencial de uma liderança eficaz está na capacidade de se conectar com as pessoas e de compreender as múltiplas dimensões de um negócio complexo. O agroindustrial é um setor essencial para o desenvolvimento do país, mas que ainda enfrenta desafios culturais e estruturais. Liderar, para mim, significa criar ambientes onde o diálogo é aberto, as ideias são valorizadas e as responsabilidades são compartilhadas.
Ser mãe aos 35 anos ampliou minha percepção sobre o que significa liderar. Cuidar vai muito além do âmbito pessoal; envolve desenvolver talentos, incentivar o crescimento das equipes e apoiar iniciativas que promovam sustentabilidade e inovação. Essa maternidade expandida me ensinou que, para construir resultados sólidos, é necessário equilíbrio entre exigência e acolhimento, entre estratégia e sensibilidade.
Hoje, com quase três décadas de experiência, acredito firmemente que o lugar da mulher na liderança não é uma concessão, mas uma conquista natural de quem entrega valor, visão e comprometimento. Meu compromisso é abrir caminhos, não só para mim, mas para todos que desejam transformar o agroindustrial com ética e excelência.
Vivemos um momento histórico em que a sustentabilidade e a responsabilidade social passaram a ser pilares fundamentais para a competitividade e longevidade das empresas. Liderar no agroindustrial hoje significa integrar resultados financeiros com impacto socioambiental positivo. Acredito que esse equilíbrio é a base para um futuro próspero e justo, capaz de gerar valor para todas as partes envolvidas — desde os produtores até o consumidor final.
Mais do que resultados imediatos, carrego a responsabilidade de construir um legado que ultrapasse gerações. Liderar é plantar sementes de transformação que florescem em sustentabilidade, ética e cuidado com as pessoas. É compreender que cada decisão tomada hoje reverbera no futuro que estamos ajudando a moldar.
Do capacete ao salto, essa trajetória é feita de coragem e sensibilidade, desafios e conquistas, mas, acima de tudo, de propósito. Porque, no fim, liderar é servir, inspirar e deixar uma marca que faça sentido para quem virá depois.
Autora: Renata Nobre – @renatamnobre




