Mulheres-mães protagonistas da própria história

Sobre as ameaças, medo e violência que estamos vivendo

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Por Débora Querido – @debora_querido

Mensagens ameaçadoras nos celulares, mães fiscalizando a entrada dos filhos nas escolas. Boatos, medo nas conversas de corredor. 

No trabalho, cobranças, conversas que não são diálogos. 

A panela de pressão apita. Tá tudo cozinhando muito rápido. 

Eu que tenho medo de panela de pressão, fico assustada. Como todos. Só que por motivos diferentes. 

Ainda que estouro, fico sempre tentando catar os pedaços, a sujeira do chão, limpar o mais rápido possível o caldo. Limpo não para ninguém escorregar, mas para o chão ficar limpo. Mas aquele chão branco da cozinha algum dia fica branco de verdade? 

Converso com a mulher da limpeza da escola. Fico sem graça porque apesar de elogiar seu serviço e conversar sobre banalidades, não consigo dizer que a empresa em que trabalha é uma sacana. Mas preciso mesmo dizer isso? Ela provavelmente deve saber. Quanta coisa a gente sabe mas não tem certeza? Parece que precisamos sempre de alguém para confirmar o que achamos. Mas nem sempre essa pessoa aparece. Ou está disponível. Ou ainda vai ter tempo pra conversar sobre assuntos triviais.

A panela de pressão apita. 

E cada um corre sua maratona diária, se desdobra e se ocupa com preocupações, responsabilidades e dores. Esta última às vezes se esconde nas atribuições durante o dia, mas assombra marotamente a noite. 

A senhora de quase 90 anos, que reclama das dores do corpo e das assombrações das noites, foi surpreendida por um ladrão desesperado que na gana por dinheiro tentou a sufocar. O improvável que acontece e surpreende a todos, inclusive à ela. Uma senhora de quase 90 anos que reage, segura o invasor e conversa com ele até ele ir embora com dinheiro, mortadela e a promessa que devolverá tudo. 

Abaixe o fogo da panela. 

Dia desses ouvi uma nova expressão: jogar conversa dentro. Achei tão coerente. A gente não desperdiça conversa. A boa conversa nos enche, alimenta. Como o caldo da panela, nos aquece e conforta. Com versos e conversas, com trocas e escuta. 

Até que é bom a panela de pressão apitar! É sinal que o caldo tá ficando pronto.

Basta a gente saber aproveitar e parar pra degustar!

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