Me perdi de mim mesma.
Insisti em me procurar. Não me encontrava.
Doeu. Chorei. Senti o abismo de desconhecer quem se é.
Silenciei .. quem me entenderia?
Me calei .. quem me acolheria?
Me culpei .. quem me compreenderia?
Senti o vazio.
A falta de espaço no mundo lá fora.
O distanciamento social.
Os projetos pessoais e profissionais deixados em segundo plano.
Pausei a vida.
E vivia num restart emocional e físico dia após dia, exercendo o cuidado.
Mas e eu?
Aonde é que eu fui parar?
No espelho, reparava os olhos distantes, cansados, desconectados.
Quem era essa?
Cadê a mulher de antes, com tempo, agenda cheia, compromissos, amigos, trabalho, projetos, reuniões, palestras, grupos, estudos, séries em dia?
Pra onde ela foi?
Como eu faço pra achá-la?
Me perdi de mim mesma.
Insisti em procurar.
Doeu muito.
Senti falta de mim.
Vivenciei o luto de quem se era.
E, na estranheza da nova identidade, aos poucos fui percebendo que a mulher e a mãe poderiam e deveriam coexistir.
E foi quando saí de carro pela primeira vez sozinha, cantando em voz alta, que percebi.
Foi depois de encontrar uma amiga que também é mãe, e finalmente poder, de peito aberto, compartilhar as dores e as delícias de viver a maternidade.
Foi depois do café quentinho e despretensioso, conversando sobre a aleatoriedade da vida com quem me é especial.
Foi depois de tomar um drink pela primeira vez, depois de dois anos sendo nutriente de amor e leite.
Foi quando percebi que, na verdade, eu sempre estive ali.
Com todos os meus sonhos, desejos, quereres.
Com todo o ímpeto de insistir na vida, desejar afetos e me reconstruir.
Ser só mãe é exaustivo.
Nossos filhos merecem mães inteiras e a gente só consegue estar inteiramente pra eles quando integra nossa parte mulher, humana e também mãe.
Mãe que sente, que tem desejos, vontades, sonhos e um tantão de vida pra viver.
Que seja parte do processo…
Resgatar-se.
Encontrar-se.
Permitir-se.
Sem culpa.
Humana. Mulher. E mãe.
Por Raissa Barbedo – @psiraissabarbedo





