A redescoberta de mim

IMG 8278 Raissa Barbedo 734x1024

Me perdi de mim mesma.

Insisti em me procurar. Não me encontrava.

Doeu. Chorei. Senti o abismo de desconhecer quem se é.

Silenciei .. quem me entenderia?

Me calei .. quem me acolheria?

Me culpei .. quem me compreenderia?

Senti o vazio.

A falta de espaço no mundo lá fora.

O distanciamento social.

Os projetos pessoais e profissionais deixados em segundo plano.

Pausei a vida.

E vivia num restart emocional e físico dia após dia, exercendo o cuidado.

Mas e eu?

Aonde é que eu fui parar?

No espelho, reparava os olhos distantes, cansados, desconectados.

Quem era essa?

Cadê a mulher de antes, com tempo, agenda cheia, compromissos, amigos, trabalho, projetos, reuniões, palestras, grupos, estudos, séries em dia?

Pra onde ela foi?

Como eu faço pra achá-la?

Me perdi de mim mesma.

Insisti em procurar.

Doeu muito.

Senti falta de mim.

Vivenciei o luto de quem se era.

E, na estranheza da nova identidade, aos poucos fui percebendo que a mulher e a mãe poderiam e deveriam coexistir.

E foi quando saí de carro pela primeira vez sozinha, cantando em voz alta, que percebi.

Foi depois de encontrar uma amiga que também é mãe, e finalmente poder, de peito aberto, compartilhar as dores e as delícias de viver a maternidade.

Foi depois do café quentinho e despretensioso, conversando sobre a aleatoriedade da vida com quem me é especial.

Foi depois de tomar um drink pela primeira vez, depois de dois anos sendo nutriente de amor e leite.

Foi quando percebi que, na verdade, eu sempre estive ali.

Com todos os meus sonhos, desejos, quereres.

Com todo o ímpeto de insistir na vida, desejar afetos e me reconstruir.

Ser só mãe é exaustivo.

Nossos filhos merecem mães inteiras e a gente só consegue estar inteiramente pra eles quando integra nossa parte mulher, humana e também mãe.

Mãe que sente, que tem desejos, vontades, sonhos e um tantão de vida pra viver.

Que seja parte do processo…

Resgatar-se.

Encontrar-se.

Permitir-se.

Sem culpa.

Humana. Mulher. E mãe.

Por Raissa Barbedo – @psiraissabarbedo

Autor

Deixe um comentário

Rolar para cima
0

Subtotal