Essa semana foi de ansiedade. De última hora, descobrimos que dava pra te levar no show do Jão e, em poucas horas, resolvemos de ingressos a caronas.
Passamos a semana ouvindo todo o setlist, você num esquenta eterno e eu tentando decorar as músicas pra não fazer feio. Falamos de fazer dois cartazes, o seu escrito “joga a baqueta na minha mãe” e o meu “você me ganhou com a sua tatuagem”. No fim das contas, não fizemos os cartazes…
Uma das experiências que eu mais desejava ter na vida era acompanhá-la no show de um artista que você amasse. Eu queria me emocionar com a sua emoção. Durante a pandemia, pensava que você e seu irmão não teriam essa experiência da histeria e catarse coletivas. Ainda bem que eu me enganei.
Foi lindo te ver gritar todas as letras, ouvir você dizer que ia infartar de ansiedade, encontrar amigas que você fez aos 4 anos, descobrir novas amizades, ver tantos adolescentes e jovens livres em expressar seus afetos, num ambiente seguro e tão em paz. Tiramos fotos de péssima qualidade, tentamos filmar a abertura, gastamos uma pequena fortuna em bobagens que vão ser parte da sua história e das suas memórias afetivas, rimos de monte com nossas piadas idiotas. Foi um dos shows mais tranquilos da minha vida e também o mais bonito, porque foi o primeiro seu.
Sabe, ouvindo as músicas do Jão a semana inteira, prestando atenção nas letras, lembrei muito da intensidade da adolescência, da potência das descobertas e das primeiras vezes. Essa vida é linda demais e a gente tem obrigação de viver bem.
As melhores e as piores coisas da vida você vai experimentar longe de mim, porque é a sua vez, só por isso. É você quem está indo de encontro às suas primeiras vezes. Saiba que estou aqui pra ouvir suas histórias, as boas, as ruins, as cabeludas e todas aquelas que você quiser dividir.
Siga sendo forte e corajosa. Seja livre com seus afetos e amores. Absorva cada gota da sua vida com vontade. E obrigada por me deixar estar no primeiro show da sua vida.
Te amo.
Por Elaine Miragaia – @elainemiragaia





