A mãe que muda o mundo

Ser uma mãe que muda o mundo é não esperar que o outro mude, não esperar pelos políticos, pelas leis, não esperar pelo amanhã. Ela muda hoje, dentro de casa.

A mãe que muda o mundo

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Um dos momentos mais importantes durante o processo de nos tornarmos mães é aquele exato instante em que recebemos nossos bebês nos braços pela primeira vez e sentimos a imensidão que é o nascimento — no sentido amoroso e no biológico também, claro.

Acontece que sentimos mais: sentimos o quanto nosso mundo mudará radicalmente, na certeza de que jamais voltaremos a ser quem um dia fomos, em todos os sentidos.

É importante esclarecer que, quando falo desse momento, incluo, obviamente, todas aquelas pessoas que desempenham essa profunda e incomparável função materna. Ou seja, refiro-me também a mães, pais e avós adotivos, que um dia acolheram seus filhos nos braços. Seja como for, um dos primeiros pensamentos que nos absorve, ao aconchegarmos nossos bebês, é o desejo de um mundo melhor para que possam existir em plenitude, com segurança, paz e liberdade.

Porém, naquele mesmo instante, ainda não sabemos algo primordial — e o tempo se encarregará de nos ensinar: se quisermos um mundo melhor, essa mudança começará em nós, dentro de casa. A começar pelo tornar-se mãe, um processo que muitas vezes não acontece como planejamos e, em diversas situações, nos obriga a lidar com o exato oposto do que havíamos imaginado.

De todo modo, é na forma como acolhemos, agimos, compreendemos e damos o exemplo que nossos filhos seguirão firmes e darão continuidade à mudança que tanto desejamos no mundo. Sim, serão eles que perpetuarão o que iniciamos hoje. E explico: é através de nós, seus primeiros espelhos, que eles enxergarão a si mesmos e ao mundo.

Para alguns, pode parecer algo insignificante, mas não é. É imenso. E é uma verdade que, lá no fundo, todos já sabíamos desde sempre — antes mesmo de recebê-los em nossos braços, muito antes de pensarmos na maternidade, quando ainda éramos nós os filhos.

Olhando para trás, cabe-nos agora refletir sobre toda a mudança que já experienciamos… Mas, afinal, quem é a mãe que muda o mundo?

A mãe que muda o mundo ensina que o respeito a quem quer que seja é a melhor maneira de se relacionar. Respeito a todos: aos mais velhos, aos que nasceram em outros países, aos mais humildes, aos que têm outros tons de pele, aos que fazem escolhas diferentes das nossas. Ela ensina que a igualdade entre homens e mulheres é fundamental para o bem viver. Ensina sobre consentimento — e que não é não.

A mãe que muda o mundo ensina sobre inclusão. Ela não exclui ninguém da lista de aniversário do filho, nem mesmo o colega novato da escola, aquele que veio de outra cultura, o que parece difícil, estranho, que pratica outra religião ou que apresenta algum nível de dificuldade ou deficiência. Ao contrário, para ela, todos serão muito bem-vindos!

A mãe que muda o mundo, enfim, ensina sobre empatia e amor. E ela ensina mesmo: senta com paciência, conversa, explica olhando nos olhos — mesmo cansada — porque sabe da importância disso. E, justamente por querer que seu filho viva num mundo melhor, não desiste, apesar de tudo. Ser uma mãe que muda o mundo é não esperar que o outro mude, não esperar pelos políticos, pelas leis, não esperar pelo amanhã. Ela muda hoje, dentro de casa.

Este texto não é uma apologia à “mãe heroína”, que fique claro. Tampouco é mais uma cobrança às mães já tão absurdamente sobrecarregadas. É sobre o poder do afeto e da conexão especial entre uma mãe e seu filho. É sobre a maternidade por um mundo melhor.

E você? É uma mãe que muda o mundo?
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Carol Noguëira é jornalista, formada em Psicologia pela PUC-Rio, mestra em Ciências da
Comunicação pela USP e, atualmente, cursa mestrado em Jornalismo de Viagens pela
Universidade Autônoma de Barcelona.

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