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Milhões de desafios, vão desde a gravidez até sempre. Pelo que ouço dura a vida toda mesmo. Durante a gravidez além das emoções à flor da pele, vem aquela chuva de pitacos. Gente que já é mãe e se acha no direito de te ensinar mil coisas que você não pediu nem deu liberdade. A mãe é você, portanto você quem sabe o que é o melhor pro seu filho.

Vá definindo limites para os conselhos. Não engula tudo nem faça a “educada” ou “sonsiane”. Quanto antes mostrar até onde os faladores de plantão podem ir, melhor pra sua sanidade mental.

Os desafios antes do bebê nascer giram em torno do parto.

Cesária? Normal? Humanizado? Importa é o bebê nascer!

“Ah, mas normal a gente quase morre”.

“Ah, mas cesárea fica aquela barriga horrorosa depois”.

“Ah, mas humanizado demora muito e pode não dar certo”.

Leia sobre cada um. Se informe mesmo! Dê prioridade ao seu bebê que vem aí. Que fique o trabalho em segundo plano, pois a vida do serzinho que você está gerando é mais valiosa.

Depois vem os desafios pro bebê se alimentar, no que diz respeito a amamentação. Dar só peito? Mamadeira? Peito e mamadeira? Importa é o bebê se alimentar!

Prematuros que por insuficiência respiratória, não mamam na primeira hora pós-parto, vão pra incubadora.

E importa é estar vivo. Respirando. Mamar é depois. Ele vai conhecer o dedo com luva das enfermeiras. Depois leite via sonda (que pode ser o seu ou algum doado). Vai conhecer a mamadeira com fórmula. Depois, por último, o seu peito.

Nada disso atrapalha ele. Nos primeiros dias, se seu parto for cesárea, o leite demora mesmo a descer. É ansiedade, é medo, muita novidade. Se ele for prematuro, muitas horas na UTI/Neo.

Passamos 64 dias com nosso filho na Neonatal. Aproveitei pra aprender tudo que era possível no que diz respeito ao cuidado com meu filho.

Muita gente me disse que mamando mamadeira e peito, ele largaria o peito antes dos 6 meses. Quase enlouqueci com isso. Aqui, o meu largou aos 11 meses, por conta própria!

Nos primeiros três meses, eles choram muito. Têm cólicas porque o estômago está terminando de se formar. Sentem falta do útero. É tudo tão novo pra eles quanto é pra você. Parece que a gente vai surtar com tantas noites não dormidas. Tanto choro. Mas isso passa!

A gente descobre que existe ofurô com água quentinha pra eles matarem a saudade do útero. Descobre que colocando eles no nosso peito, pele com pele, faz com que se sintam seguros. Descobre que enrolando eles em manta na forma “charutinho” também ajuda muito.

O pediatra pode receitar medicamentos que auxiliam nessa fase e a dosagem certa para o seu bebê. 

Próximos desafios envolvem onde você vai ficar depois de ter parido. Você não tem que ficar na casa de A ou B porque Fulano ou Ciclano acha melhor assim. 

Tem que ficar onde você, que pariu, quiser. Na casa que se sentir melhor. Não é momento para agradar pessoas e sim, de pensar em seu bem-estar. Onde você quer ficar? Com quem quer ficar?

Por ter minha família em outro Estado e pelo aprendizado dos 64 dias de UTI/Neo, fiquei sozinha com meu filho em casa. E foi maravilhoso. Eu pude ser eu mesma. Com todo turbilhão de sentimentos que vinha. Não me preocupei em tirar pijama, em arrumar cabelo, em esconder blusa molhada de leite.

Aliás, outros desafios aí: a quantidade de leite. Há mães que terão leite. Há as que terão pouco (meu caso). E ainda, as que não terão. Remédio não adianta. Descansar também não. Nem beber meio mundo de água. É a natureza que define isso.

Ofereça ao seu filho, o seu leite na quantidade que tiver, se você tiver. E já será o bastante para que ele seja saudável. Complemente com a fórmula indicada pelo pediatra e não se culpe por isso. Há sim, a possibilidade de mamando no peito e na mamadeira, ele largar o peito antes do tempo. 

Comigo não aconteceu. Mas se com você acontecer, paciência. Há bebês que nem mamam no peito devido ao fato de as mães não terem leite ou não terem o desejo de amamentar. 

Dar mamadeira, segurando o bebê no colo na mesma posição em que ele mamaria no peito já faz bem a vocês dois. Importa é ele se alimentar, é receber seu amor.

A gente se maltrata demais com tanta cobrança. Ouvindo os blá blá blá alheio. Para os primeiros três meses, já basta o puerpério nos jogando pra baixo. Vá mostrando às pessoas: que a mãe é você; que quando você precisar de conselhos, você pede; que você tem internet e pediatra para tirar dúvidas.

E não permita que nenhuma mãe lhe diga “ah, eu sou mãe antes de você”. Isso não a faz “melhor mãe”. Você é tão mãe quanto ela. Procure grupos de mães no facebook para ver que elas também passam dificuldades como você. Amigas próximas para dividir experiências também lhe farão bem e ajudará a vencer esses desafios.

Esses primeiros meses complicados, vão passar e as coisas vão se acalmar!

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