Quem sabe o que é ser uma “Boa Mãe”?, Mildred Lima Pitman de Oliveira – @eu_eminhashistorias
Antes de ser Mãe, sou filha, e este fato me traz a necessidade de reconhecer que, por muitas vezes na vida, pensei que a minha não era uma boa Mãe.
Todas as vezes que me proibiu de fazer algo, de ir a algum lugar, de agir de determinada maneira, meio que “congelando” minha ação com um simples – mas contundente – olhar, certamente neguei a ela o adjetivo de bondosa.
As inúmeras vezes em que fui contrariada, mesmo já adulta, diante da atitude dela em sempre determinar o que é o certo, me fizeram achar que ter razão, estar certa, perante ela, era algo muito próximo de ser perfeito e, por isso mesmo, intangível.
Mas, o que posso pensar hoje é que tudo o que gosto de ter é a certeza de que, mesmo ela não sendo o modelo “mãe da Cinderela” ou “avó da Chapeuzinho Vermelho”; ainda que eu mesma não tenha “maternado” meus filhos, nem tenha me concedido a liberdade que eu achei que merecia, Ela é minha Mãe, como nenhuma outra pessoa poderia ser escolhida para ser.
E sei disso porque, embora tenha consciência das limitações dela para com ela mesma e para conosco, seus filhos e filhas, em alguns momentos da vida acredito que Ela tentou, a seu modo,ser uma boa mãe – e, para mim, conseguiu. Mostrou-me que só sabe o que é uma “Boa Mãe” quem vivenciou a oportunidade de ter uma Mãe, de ver seus defeitos, sua humanidade e, ainda assim, reconhecer nessa figura o que se pode extrair de mais bonito do ser: um amor único e de insondável intensidade.
Seria ideal se tal reconhecimento não viesse acompanhado de certas cobranças ou demandas próprias, de quem viveu suas carências sem conseguir resolvê-las da maneira como gostaria; ou que não obteve a libertação própria ou, ainda, não conseguiu desprender-se de suas próprias e profundas culpas.
Mas, por que exigir que a pessoa que se torna Mãe, por mais dadivosa que seja esta condição, transforme-se em criatura perfeita?
Talvez o especial de Ser Mãe esteja justamente no desafio de saber-se com falhas e, ainda assim, seguir tentando. Tentando até diminuir os erros em prol de um amor maior. O amor ao outro que é parte de nós mesmas.
O amor que faz com que nos enxerguemos aos poucos, esperançosas de ter a capacidade de cair e levantar, de orientar, de plantar a melhor semente, sem expectativa de colheita ideal e, mais que tudo, de acreditar que, na missão peculiar de ser Mãe, somos afinal, frutos de algo que assume muitos nomes e significados, mas que nos mantém sempre aprendizes e — por que não dizer? — filhas.
Se pensar assim é resposta para o que é ser uma Boa Mãe eu não sei. Estou tentando descobrir com os meus dois filhos. Falhando no exagero e na falta. Na intensidade do meu amor por eles, que, alguma hora os sufocará, a ponto de quererem até rejeitá-lo.
Mas prefiro pensar que não importa o adjetivo e sim os verbos: Tentar. Cuidar. Errar. Viver. Ressurgir. Sentir.
Como Mãe. Simplesmente.





