Representatividade Feminina: o papel das mães

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Minha geração cresceu sem nem conhecer o conceito de representatividade feminina. Não me lembro dessas palavras impressas nos jornais pendurados nas bancas, nem nas revistas impressas que circulavam em minha casa, muito menos ditas em voz alta. Esse não era um assunto debatido nos colégios, muito menos pautado nos meios de comunicação.

Se essa pauta não era sequer conversada, não havia o menor rastro da mesma na realidade de então. Na época, as mulheres já estudavam e tinham empregos, mas os homens dominavam completamente todas as formas de poder. Tanto na política, quanto na direção das empresas, bem comonos destaques esportivos, só havia espaço para homens, sem que isso suscitasse nenhum questionamento. Eu, por exemplo, cursei uma faculdade em que a maioria era (e segue sendo) masculina, mas essa constatação não levava a nenhuma reflexão ou conscientização da necessidade de mudança.

Felizmente, nos dias atuais os adolescentes contam com um cenário mais maduro sobre esse tema. A representatividade feminina na liderança ainda é baixa, mas já existe consciência sobre a importância da mesma. O empoderamento feminino vem sendo pauta de debates nas salas de aula. Há ações afirmativas para melhorar este cenário e cada pequena vitória nesse sentido é comemorada.

Ainda assim, o cenário ainda é desfavorável para as mulheres. Na política, o mapa “Mulheres na política: 2025” constata que os homens seguem superando as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo. O Brasil ainda tem baixa representatividade feminina na liderança política e ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres e a 53ª posição no ranking de representação ministerial.

Nos negócios, um levantamento de 2024 constatou que apenas quatro companhias que compõem o Ibovespa eram lideradas por mulheres, permanecendo somente três em 2025. Nos esportes, os avanços são mais visíveis. Os jogos olímpicos de Paris em 2024 foram os primeiros com igualdade de gênero.

Além disso, há algumas mulheres se destacando em esportes que eram considerados masculinos, como a futebolista Marta Vieira da Silva. Ainda assim, em todos os setores, ainda estamos engatinhando na direção do empoderamento feminino.

É muito otimismo acreditar que, por crescerem num contexto em que a representatividade feminina vem sendo debatida, nossos adolescentes vão construir um futuro em que a equidade de gênero esteja consolidada. Como disse Simone de Beauvoir: “Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.” Infelizmente, essa afirmação segue sendo uma realidade.

Um exemplo disso é que em agosto de 2025, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, postou um vídeo criticando o direito ao voto das mulheres.

Por isso, é tão importante reafirmar a importância desta pauta aos nossos adolescentes, tanto os meninos quanto as meninas. Segundo William McRaven: “Se você quer mudar o mundo, comece arrumando sua cama”. Sendo mães, nossa forma de começar a mudar o mundo é instruindo e orientando nossos adolescentes sobre a necessidade de equidade de gênero em todos os setores.

Fontes:
https://www.onumulheres.org.br/noticias/brasil-ocupa-a-133a-posicao-no-ranking-global-de-representacao-parlamentar-de-mulheres/
https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/09/mulheres-ceos-50-lideres-a-frente-das-maiores-empresas-do-brasil-e-do-mundo/#foto9
https://www.olympics.com/pt/noticias/paris-2024-primeiros-jogos-total-igualdade-genero
https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/chefe-do-pentagono-posta-video-de-pastor-que-diz-que-mulher-nao-deve-votar/

Autor

  • Marcia do Valle

    Márcia do Valle é mãe da Julia e da Clara, madrasta da Maria, feminista e carioca. Além de engenheira e mestra em administração de empresas, também  é autora dos livros "180 Graus" (Editora Marco Zero) e "Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?" (Editora Adelante). Atualmente divulga seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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