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Uma das frases que mais ouvi desde o nascimento do meu filho foi “Por que você não dorme enquanto ele dorme?”. Para muitas mães já é difícil executar tal tarefa e para as que estudam, essa possibilidade é ainda mais difícil.

O ensino superior exige muito, e há certa dificuldade em ir para a Universidade. Me preparo todos os dias, horas antes da aula começar, sempre com uma certa rotina: amamentar, trocar fralda, arrumar as roupinhas e comidinhas que ele precisará enquanto eu estiver fora, amamentar (de novo), levá-lo até a creche.

Nisso, se vai, pelo menos, 2 horas. Quando chegamos na faculdade, as mães que amamentam irão me entender, vem aquela enxurrada de leite deixando evidente que a hora de mamar chegou, mas você não o fará, pelo contrário, lidará com olhares que muitas vezes julgam e raras vezes acolhem.

 Acho que já perdi as contas de quantas vezes tive que ir embora mais cedo, chegar mais tarde, ou até mesmo nem ir porque meu filho precisava de mim. Às vezes era reação das vacinas, ou uma gripe, ou até mesmo só queria colo, mas não qualquer colo, o meu. 

Para que eu possa estar, minimamente, no mesmo nível dos meus colegas, preciso dedicar mais horas do meu curto dia para ler e entender o texto referente a aula, com pausas incontáveis para lidar com as outras tarefas e cuidar do filho.  Aí eu volto àquela pergunta inicial, “Por que você não dorme enquanto seu filho dorme?”, acho que agora a resposta é meio óbvia, não? 

Autora: Larissa Mota de Camargos Lima, 22 anos, Uberlândia – MG. Sou professora de Português e estudante de Letras na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mãe do Raul.

2 COMENTÁRIOS

  1. É evidente. Sou mãe do Pietro de três meses, e estudante de direito. Dói, mas é a verdade: nos doar assim é doloroso, ainda mais em uma sociedade que prefere nos julgar do que ajudar de forma efetiva. Parem de negligenciar mães, parem de nos cobrar perfeição em tudo!!!

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