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No silêncio do terceiro mês do meu isolamento devido a uma pandemia, me deparo com uma crise: Quem sou eu? A mãe? A estudante? A esposa? A mulher/indivíduo? Quem sou eu? Não consigo me identificar nesse momento, não consigo dizer quem eu sou. 

Afinal, são três meses exercendo atividades distintas no mesmo ambiente. O “Home Office” está mais Office que “home”, o trabalho em casa multiplicou, e isso nem é porque a minha carga horária tenha aumentado, são as mesmas horas, os mesmos casos; mas, as atividades se multiplicaram. Meus processos judiciais se uniram a uma pilha de roupa, que se uniram a fraldas que devem ser trocadas e a uma criança de dois anos e meio que demanda tempo. 

Quem sou eu? Neste mesmo ambiente, exercendo estas diferentes funções, com o mesmo “uniforme” o pijama diário, o mesmo coque, as mesmas olheiras, por noites mal dormidas… Ah, quem sou eu? que preciso dividir minha atenção entre uma aula e minha filha. 

Acho importante ressaltar, que este questionamento é individual, que enquanto eu mulher, mãe-estudante questiono a minha sobrecarga doméstica devido a tentativa de conciliação da maternidade, profissional e estudante, existem estudantes brasileiros/as que não terão acesso ao ENEM-Exame Nacional do Ensino Médio; então, fica aqui meu pequeno adendo sobre uma reflexão de classe*.

 Eu, nada mais sou que um reflexo de uma mulher cansada! Vi um texto de uma mãe que dizia “Não me chamem de guerreira”, não me recordo o nome da autora, mas faço de suas palavras as minhas: Não me chamem de guerreira. Toda vez que me perguntam: “como você consegue?” Eu sempre digo: “A necessidade fala mais alto e uma rede de apoio em conjunto é a chave.”

Não está tendo rede de apoio na pandemia por motivos óbvios e eu como mãe vos repondo minha questão inicial, que sou uma pessoa mentalmente exausta, que preciso de atenção: Um “Oi, tudo bem?”, “Tu ainda existes?” cairia bem neste momento.

*Este texto foi escrito antes da decisão do senado de adiamento do ENEM. Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/audios/2020/05/senado-aprova-adiamento-do-enem-para-depois-do-fim-do-ano-letivo-de-2020

1 COMENTÁRIO

  1. […] Em isolamento social e vivendo uma mistura de angústia, estresse, culpa, impaciência, medo, cobranças, cansaço físico, exaustão emocional … a mãe pode enfrentar uma crise de identidade como aquela descrita por Natália Ahn: “No silêncio do terceiro mês do meu isolamento devido a uma pandemia, me deparo com uma crise: Q… […]

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