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Querida Luana puérpera, eu quero te dizer que o bicho vai pegar.
E não quero te dizer isso pra te assustar e sim pra você se preparar.
Eu quero te dizer que a maternidade margarina existe, mas a real é a que vai prevalecer em seus dias e você vai se perguntar: cadê aquela felicidade toda? Tem algo errado comigo! Eu vim com defeito!
Mas quero te dizer que não! Você não veio com defeito.
Você vai conhecer mães, muitas mães, de todos os tipos e jeitos e vai perceber que esse sentimento vem de um padrão imposto pelo sistema. Um padrão que desumaniza mães com a máscara de dizer que elas são intocáveis, puras e santas, fortes e tolerantes.
E não, você não é. E não, isso não quer dizer que você ame menos seu filho.
Você vai conhecer o maior amor do mundo. Isso é verdade.
Um amor que é construído. Dia após dia. E não, igual os contos de fada.
Um amor que nasce de uma relação entre dois estranhos: você e seu bebê.
Ele vai chorar por horas seguidas, 3h, 4h no início, e você não tem controle e nem culpa sobre isso. Ele só tá tentando entender onde ele tá.
Ele vai ter dificuldade de dormir e isso vai fazer você pensar que é porque você não faz rotina igual prometem a consultoras de sono.
Mas ele é só um bebê! E ele não sabe que nasceu ainda!
Solta a rigidez! Solta o controle!
E uma hora, por um milagre dos céus, você vai se conectar com ele e entender que ele vai te guiar mais do que qualquer livro nesse processo.
Toda informação que você estudou vai ser muito muito muito boa se usada em conjunto com a conexão com ele.
E definitivamente, certas coisas seu bebê não vai se encaixar em estudos.
Ele é único. Você é única.
E assim, vocês vão construir uma relação mais única ainda.
Só de vocês. Só nossa.
Esqueça os palpites. Continue firme nas suas opiniões. Seja contraditória. Seja inconstante. Seja o que precisar ser.
Você verá o resultado disso a longo prazo.
E depois todos vão dizer: nossa como ele tem autonomia! Nossa como ele interage.
E internamente você saberá o grande feito que está fazendo.
Criar seres humanos livres e de forma respeitosa da trabalho.
E não é ele que dá trabalho, são os outros.
Mas vale a pena. Continue.

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