A resistência que pulsa

1760487106396 cristiane dias

Ser mulher e ser mãe
Nem sempre é similar,
O que deve prevalecer
Será sempre o se amar.

Ser mãe é uma escolha,
Não deve ser imposição,
De uma sociedade que insiste
Em aderir isto como função.

Ser mãe pode ser agregar,
É um processo de se desafiar,
Mas tem que ser sempre uma escolha
E nunca uma obrigação para a sociedade agradar.

As mulheres vêm desbravando e conquistando
O direito de escolher e se escutar,
No tempo e no corpo que lhes pertencem,
No ritmo que desejarem caminhar.

A procura pelo planejamento
É uma estratégia secular,
Mas nos contextos femininos
Só agora começa a se afirmar.

Onde a gestação passou a ser escolha,
E o não querer é mais fácil de aceitar,
Cada corpo é soberano,
Cada vontade um bálsamo singular.

Somos mulheres em processo,
De curar, romper e libertar,
Tejemos com mãos firmes
Os fios da vida que queremos bordar.

No mundo onde o patriarcado
Continua forte a pulsar,
Nos espaços de poder
Pelejamos a chegar.

E se somos negras então,
Esses acessos se tornam mais difíceis,
De permearem e alcançar,
Pois a invisibilidade insiste a nos cercar.

Mas nossa força é herança,
De Ana e Erotildes que ousaram lutar,
De mães pretas e guerreiras
Que aprenderam a reexistir e a sonhar.

Precisamos unir forças,
Com coragem e consciência ancestral,
Vamos nos aquilombar,
E transformar o pessoal em coletivo social.

Porque resistência é pulsar,
É manter viva a chama do amar,
É compreender que cada escolha
É forma de continuar a lutar.

Nesses versos eu alcanço
Muitas que vieram antes,
E muitas que estão a chegar,
Num processo de união
Continuamos a pulsar.

E enquanto o tempo gira,
E novas vozes ecoarão no ar,
Seguiremos firmes, de pé, inteiras
Mulheres negras, mães ou não,
Feitas de força, memória e mar.

Por Cristiane Dias da Silva Froes – @cristianel.m.froes

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