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Faltam regras claras sobre o que pode ou não ser feito durante a pandemia, onde fica o limite entre a baixa exposição aceitável e a inconsequente exposição exagerada. Na falta de diretrizes comuns a todos, fica a critério de cada um decidir se vai ao mercado de máscara ou se pede as compras num serviço de entrega.

Se mantém os filhos no ensino remoto ou se retorna às aulas presenciais. Se visita os pais idosos, se espera eles tomarem a primeira dose da vacina ou se retoma esse convívio somente após a segunda dose da vacina.

A cada minuto, são inúmeras decisões a serem tomadas e que se situam entre os dois extremos de ficar em casa em isolamento total ou frequentar festas e outros locais reconhecidamente com aglomerações.

A pandemia nos trouxe a necessidade de tomada de decisões quando não existe um manual esclarecendo o que é certo ou errado. Isso leva um sentimento maior ou menor de insegurança a cada um.

Para algumas pessoas, a simples decisão sobre encontrar ou não uma única pessoa já leva a um tortuoso caminho cercado de insegurança por todos os lados. Para outras, este tipo de decisão acontece de forma menos dolorosa.

De minha parte, noto que não é a primeira vez que tenho que tomar inúmeras decisões por minuto sem ter um manual me apontando o que devo fazer. Essa já é minha rotina desde que me tornei mãe.

Assim como não há uma orientação clara e inquestionável sobre a escolha entre ensino presencial ou remoto no estágio atual da pandemia, também nunca encontrei um manual para me orientar nas minhas outras inúmeras decisões a respeito da criação das minhas filhas.

Dar ou não chupeta, colocar na creche ou se deixar com a babá enquanto trabalho, escola construtivista ou com outra proposta pedagógica, matricular nessa atividade física ou em outra, essas e várias outras decisões foram tomadas tendo como base unicamente minha vontade de buscar o melhor para minhas filhas.

O mesmo vale para todas as pequenas decisões cotidianas sobre a forma de lidar com a birra, qual a melhor forma de colocar a criança para dormir e tantas outras pequenas escolhas que permeiam o dia a dia e uma mãe.

Ser mãe, para mim, sempre foi sinônimo de improvisar dando o meu melhor. Seguir meu instinto para fazer coisas que nunca tinham me ensinado. Tomar decisões e torcer para não me arrepender depois. Ser mãe fez com que eu passasse a gostar de viver nesse mar de incertezas que beira o caos.

É como se a maternidade fosse uma missão tão desafiadora que, se sou capaz de ser mãe, nada mais é impossível para mim. Então é com esses superpoderes adquiridos com a maternidade que me sinto apta fazer essas pequenas escolhas diárias que a pandemia demanda, sem que isso se torne um pesadelo.

Afinal, se consigo ocupar o cargo de mãe, estou mais do que qualificada para decidir se vou ao mercado de máscara ou se peço o serviço de entrega.

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Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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