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Era quinta-feira, já haviam se passado 4 dias que estávamos no hospital. Louise sempre foi um bebê saudável. Apesar da cesárea de emergência, tudo ocorreu tudo bem, ela pegou no peito rápido, aprendeu a mamar mais rápido ainda e mesmo que as noites mal dormidas já tivessem começado, aparentemente, estava indo tudo maravilhosamente bem.

Na Austrália, dependendo do hospital que você decide ter o seu bebê, existe um período que você fica nele, tudo isso para aprender e ter o apoio que necessita. Nesse caso, já estávamos “preparados” para ir pra casa. Parecia que tudo ia ser maravilhoso. Eu mal podia esperar para chegar em casa! Queria o meu chuveiro, minha cama, minha casa, tudo. Mas além de tudo isso eu não sabia, mas eu queria ajuda.

Por causa da Covid, minha mãe não conseguiu vir pra cá, como era o planejado. Tão pouco a família do meu marido que se encontra nos EUA. Era eu e ele, ele e eu plus Louise Christina.

Chegamos em casa e Louise foi apresentada a Lulu, nossa cachorra. Lulu estava feliz porque eu havia voltado para casa, como sempre alegre em nos ver, mas sem muita certeza do que carregávamos na cadeirinha e o porque esse bebê chorava tanto.

Bem, foi então que tudo começou. A apreensão de dar banho. A organização do Moisés ao lado da nossa cama. O choro que não sabíamos ao certo qual significado. A noite foi bagunçada.

Louise acordava a cada duas horas. Eu queria amamentar sentada e tinha que me manter forte para não fechar meus olhos. Tyler queria ajudar mas não sabia como, ele se mantinha acordado ao meu lado, até eu dizer que tudo bem, que ele podia dormir.

A cada deitada no travesseiro eu desejava ter minha família por perto, alguém que eu pudesse chorar, entregar o bebê, me sentir mais à vontade pra dizer que esse tal de puerpério é uma merda, porém esse amor que não cabe dentro de mim é maravilhoso. Tivemos amigos que ajudaram muito, que sabiam o que a gente estava passando, mesmo que falássemos que estava tudo bem.

A verdade era que não estava tudo bem não. Tem muita coisa que acontece no primeiro dia, primeira semana e primeiro mês que não tem como prever, imaginar ou se quer pensar. Coisas que não conseguem ser descritas em um texto ou explicadas em uma conversa.

Essas coisas a gente só sabe se sentir, se passar. Hoje olhando pra trás eu lembro que sim foi uma loucura, uma montanha russa, e que eu esqueci bastante coisa do que aconteceu, que eu aprendi muito com tudo e que hoje meus desafios parecem serem mais fáceis, talvez porque eu já me acostumei e gostei de ser mãe.


Autora: Ana Paula Maciel Ribeiro. Jornalista e Mãe de primeira viagem conhecendo esse mundo maluco e lindo da maternidade. Vive na Austrália, mas ama o português e escreve para não esquecer suas origens. Ama a vida, o fato de agora ser mãe da Louise Christina. Instagram @anaapmaciel e @doladodecadomundo

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