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É a Isis quem me ensina a acreditar em fantasia. Coelho da Páscoa, Papai Noel, Fada do Dente. Não me entenda mal: eles até povoaram minha existência anterior, mas a Ana adulta não tem nenhuma memória viva deles (desculpa, mãe).

E de repente essa adulta aqui tem que se confrontar com aquelas perguntas vindas do meio do buraco negro da mente das crianças: “Mamãe, o Coelho gosta de bolachinhas?”, “Mamãe, os duendes moram junto com o Papai Noel?”, “Mamãe, acho que meu dente vai cair, o que será que a fada vai me dar?”. Fada, Isis? 

E cada vez que ela me vem com perguntas, eu devolvo outra: “O que você acha, filha?”. Eu podia dizer que faço isso porque não quero que ela tenha respostas prontas, mas a verdade é que eu mesma estou aprendendo. Eu aprendo, com cada pergunta sem resposta e a cada olhar de surpresa, que existe outra vida além das muralhas de pedra bruta que eu construí pra minha mente. 

Eu aprendo que certezas são uma nuvem em forma de unicórnio que se desfaz na próxima piscadela. E eu aprendo que só de fantasia se sobrevive. Quando eu digo pra minha filha que o que importa é se ela acredita, é comigo mesma que estou conversando, porque ela já sabe. 

É nas entrelinhas da vida, onde moram escondidos os Coelhos, os Duendes e as Fadas, que se encontra intacta nossa capacidade de sobreviver. 


Autora: Ana Beatriz Garcia. Mãe da Isis. Advogada, mestre e doutoranda em Direito pela Universidade de Santiago de Compostela. Buscando poesia no absurdo da existência. Instagram: @anabeatriz.garcia.71

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