Seus pezinhos

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Já faz quase 4 anos desde que vi esses pezinhos ao vivo pela primeira vez. Há mais de 4 anos eu os vi pela primeira vez na foto do ultrassom e pude constatar serem perfeitos (como se a não-perfeição fosse possível aos olhos do amor) e respirar aliviada! Mais de 4 anos desde quando eles chutavam as minhas costelas incessantemente, e era um dos incômodos mais agradáveis que já senti na vida! Alguns pais tatuam o pezinho do filho recém-nascido no corpo, e eu entendo perfeitamente o porquê.

Esse texto é sobre o meu amor pelos seus pezinhos, filha! Pezinhos que cabiam na palma da minha mão e que hoje ficam podres dos chãos sujos por onde você anda e corre. Pezinhos que vão trocando de pele e de tamanho, mas nunca perdem o encanto e a magia para mim. Pezinhos que já sabem chutar em protesto, mas que ainda sabem vir para as minhas mãos para receber amor enquanto eu te amamento. Sim, cara leitora, ela vai fazer 4 anos e ainda mama, e eu ainda pego os pezinhos dela para beijar enquanto ela mama, e está tudo bem!

Hoje, faltando pouco menos de 1 mês para você completar 4 anos, esses pezinhos já voltam da escola com um chulézinho nos dias mais quentes, já escolhem se querem ou não ser cobertos e por qual sapato. Dançam ballet, pulam do sofá e de tudo mais que você encontrar potencial de pulo. Chutam o papai, caçoando dele, e a bola em alguma brincadeira descontraída, pisam nos pés da mamãe para andar sobre os dela. Os pezinhos e sua magia!

Quando você era pequenininha, eu comprei um molde de argila e cravei os seus pezinhos lá. Queria uma lembrança material de que um dia eles foram tão pequenininhos. Seu pezinho na argila vive na estante da sala. Seus pezinhos reais vivem na casa inteira, habitando vivamente todos os cantinhos e esfregando a liberdade de ser e crescer na cara do pezinho preso no molde.

Assim é a (minha) maternidade. O contraste entre querer o pezinho que cabia na palma da mão e está preso no molde de argila, e querer o pezinho que pisa no slime e o espalha pelo chão da casa sem culpa e sem pudor. Nunca vivenciei nada mais mágico do que ver você crescer e ampliar seus caminhos e suas caminhadas por meio dos meus/seus amados pezinhos. Dá um frio na barriga perceber a passagem do tempo, mas, ao mesmo tempo, dá algum contentamento.

Os seus pezinhos serão os únicos nessa existência que não precisarão de condicionantes para a beleza. São lindos e amados em qualquer condição, de qualquer jeito. E assim seguiremos: cortando as unhas, limpando apenas com o lencinho umedecido nos dias mais agitados e quando o corpinho já adormeceu, calçando e tirando meias, reclamando dos pisões no meu pé, cuidando das topadas, tentando mostrar o melhor caminho ao mesmo tempo em que tento encorajar que você os desbrave por conta própria.

Ser sua mãe é estar toda pronta para sair com as amigas e encontrar um prendedor, boneca ou livrinho seu na bolsa destinada ao momento que seria só meu e, a partir daí, querer ir e querer ficar. Querer te esmagar em um abraço e querer abrir os braços bem grandes para você voar. O amor de mãe pode ser um pouco sufocante e, para não sufocar seu corpinho, decidi destinar esse amor mais desenfreado aos seus pezinhos. Acho mais justo assim, pois seus pezinhos podem te conduzir a fuga, se você assim quiser. Os pezinhos permitem ir e ficar, parar e andar, correr e pular. É a parte que menos se vê nos outros e, talvez por isso, é a parte que mais eu adoro em você, porque eu e você não somos e nunca seremos nada remotamente igual a mim e aos outros. Seremos para sempre eu, você e seus pezinhos, no nosso mundo, dentro do mundo. Fim.

Autora: Luciana Camara

Revisora: Samantha Viriato

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