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A sexualidade no continente americano

Os povos da América eram muito livres e abertos sexualmente. Vários povos andavam nus. Já haviam relacionado o sexo e a reprodução, haviam métodos contraceptivos e até abortivos. Sexo antes do casamento era normal, pessoas homossexuais acabavam se tornando lideranças pois eram consideradas sábias. Pessoas transexuais eram consideradas sagradas em muitos povos. A bissexualidade era muito comum e o sexo era livre na maioria das culturas.

Os europeus chegaram e consideravam os povos indígenas impuros e imorais. Alguns achavam um absurdo, mas outros até simpatizaram com o estilo de vida livre. Acabaram trazendo evangelizadores cristãos, colocaram regras, mudaram os hábitos de vestimenta e até separavam famílias com o intuito de evitar o sexo fora do casamento, já que para eles nem o casamento indígena contava.

Povos na America Central, tinham um ritual de noivado: Antes do casamento o casal podia ficar alguns dias separados do resto da comunidade para fins de constatar incompatibilidade sexual (sim, eles saiam da comunidade pra passar uns dias transando). Caso houvesse, o casamento podia ser cancelado. Este evento também foi reprimido. 

Esses atos contribuíram para o controle sexual masculino. Claro que os nativos não aceitaram tudo isso facilmente, o que gerou muitas mortes. Os europeus passaram a estuprar as mulheres indígenas e incentivar estupro por considera-las disponíveis. Foi quando as mulheres nativas e passaram a se casar com amigos e parentes para evitar estupros pois as mulheres estupradas eram obrigadas a se casar com seus estupradores. O que gerava muita infidelidade e diversos filhos chamados “ilegítimos”. Reflexo que ainda é visto nos dias de hoje.

A vida das mulheres escravas africanas não era muito diferente quando chegam a ao continente americano. Como elas eram consideradas propriedades dos donos de terra, eles se achavam no direito de estuprá-las. E ainda tinha a desculpa que as mulheres negras eram “sensuais e devassas”. Os homens negros não tinha permissão de ter relações sexuais, por isso o mito que o homem negro é sedento por sexo, bom de cama e que tem o falo poderoso. Esse mito foi espalhado para evitar que as mulheres brancas não se interessassem por homens negros, mas hoje sabemos que o efeito alcançado é diferente pois o homem negro hipersexualizado.

No Brasil, com a chegada da corte portuguesa, chegaram os bordeis e os teatros sexuais que eram vistos como extremo bom gosto. A mulher continuava a ser vista como entretenimento masculino, mas quando ela usava a sua sexualidade a seu favor era julgada como desonrada e prostituta.

Na década de 50 começaram a surgir os métodos anticoncepcionais, o que simbolizou a liberdade feminina e a separação do sexo: prazer e procriação. Portanto varias religiões se mostram contra e discriminavam as mulheres que optavam por utiliza-los. Alguns desses métodos, inclusive, precisavam da autorização de um homem: o pai ou o marido desta mulher.

Nos anos 70 veio um período que é conhecido como A Revolução Sexual. Priorizar o prazer virou regra “sexo, drogas e rock and roll”. As pessoas, principalmente as mulheres se sentiram mais livres para ter diferentes experiências sexuais. Mesmo assim, as famílias optavam por evitar o assunto em casa com os adolescentes. Nessa época teve uma imensa queda de natalidade que tem relação os métodos anticoncepcionais que estavam sendo usados.

O sexo virou prazer e as medidas para a pratica segura passaram a ser divulgadas. Nesse período foi muito falado sobre a prevenção de gravidez com camisinhas e anticoncepcionais para casais héteros, mas pouco foi falado sobre a prevenção de doenças e infecções sexualmente transmissíveis principalmente para casais homossexuais, o que contribuiu para um grande aumento de pessoas infectadas com HIV nos anos 80 e a imediata relação da Aids com homens gays.

Nos dias atuais é normal que pensemos que esse tipo de mito já foi combatido, mas pra finalizar vou deixar uma tabela de 2010 do Ministério da Saúde que mostra os mitos sobre o sexo que ainda são mais comuns que imaginamos.

Espero que você tenha gostado dessa série, é importante sabermos de onde vem tanto preconceito, hipersexuzalização e traumas para que possamos tentar mudar o futuro. Caso você queira ler os textos anteriores, basta acessar abaixo.

SÉRIE | A História do Sexo — Liberdade sexual

SÉRIE | A História do Sexo — A chegada da Igreja

Bibliografia:

Stearns, 2010 | Lins e Braga, 2005 | Priore, 2011 | Portal da Saúde 2005 | OMS, 2010

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