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Quando uma mulher anuncia que está grávida, todos ao seu redor compartilham daquela alegria. Alguns dão parabéns, outros já começam a palpitar, outros já pensam nos possíveis nomes se menino ou menina ou perguntam do enxoval.

Há muito pra falar e fazer durante a gestação.

Geralmente, se faz um chá de fraldas. Ganham-se fraldas, roupinhas, babadores, uma fofurinha atrás da outra. Há também quem faça o “chá de comida congelada” (nunca ouviu falar? Dá um google!), pra auxiliar a mamãe recém parida com a alimentação nos primeiros dias.

Muita festa, alegria, expectativa. Mas, a verdade é que o que é pega mesmo é o PUERPÉRIO e dele pouco se fala na gestação.

Puerpério é o período em que a mulher se recupera após o parto, se reeestrutura emocional, psicológica e fisicamente. A maioria dos artigos médicos dizem que o puerpério dura cerca de 60 dias, mas vou te contar minha amiga, ele pode durar muito mais. Pelo menos aqui, foi assim.

Você já conhece aquele clichê que “quando nasce um bebê, nasce uma mãe” e também nasce um pai, um avô, uma avó, um primo, uma tia, enfim, uma gama inteira de parentes pra essa criaturinha.

Todos querem ver o rostinho do bebê, conhecê-lo, tocá-lo, parece até que precisam tanto estar perto dele pra adquirir um pouco da sua pureza. Mas o que ele mais precisa é da mãe e esta, por sua vez, é a que mais precisa de apoio, compreensão, carinho e muito, muito, muito cuidado.

Sabe aquele “bum” hormonal que as mulheres têm na gestação? Oscilações de humor, choros inexplicáveis, várias mudanças de uma vez? Então, no puerpério também dá um barato bem parecido.

Depois de parir, a mulher se descobre uma nova mulher. Tudo muda de novo. Você precisa de um tempo pra assimilar tudo, mas daí aquele bebezinho lindo chora a noite inteira, você não dorme 2 horas seguidas, amamentar é super difícil no começo (aliás, amamentação é um grande tópico também. Um tema essencial que deveria ser muito mais abordado na gestação). Você precisa acertar a pega (oi? Que pega é essa? Não tá entendendo? Dá um Google), dói, seu seio pode rachar ou sangrar, o útero contrai conforme o bebê suga, você sente cólicas, fica na dúvida se o bebê ta mamando direitinho.

Nessa hora o que não falta é palpite do que é melhor pra você e pro seu bebê, afinal, quem melhor do que os outros pra saber o que é bom pra você e sua família?

Você se sente julgada, criticada, confiança zero, privação de sono, não consegue tomar um banho decente, vontade de chorar o tempo todo, fazer uma refeição inteira sozinha sem interrupções é praticamente um milagre.

E o pior é que a grande maioria tem pouco ou nenhum auxílio nos primeiros meses. E as vezes o auxílio vem acompanhado de “palpites com boas intenções”, mas olha, numa hora dessas eu só tenho  a dizer que “de boa intenção o inferno tá cheio”.

O parceiro/marido tem 5 (CINCO!) míseros dias pra ficar com a mamãebebê (por sorte consegue férias no período), os parentes e amigos estão distantes.

Você fica vulnerável, ansiosa, nervosa, desconfiada, irritada por tudo, cansada dos palpites, dicas e críticas, questiona tudo que está se passando com você, acredita (as vezes tem a certeza!) que não vai dar conta de cuidar daquela criança.

Com todos esses acontecimentos é bem possível que ocorra um “baby blues” (melancolia pós parto), ou depressão pós parto que é bem mais sério.

A mãe precisa se adaptar com aquela nova situação: mamãe+bebê. No início, a necessidade de vínculo é tão grande que você não é mais você. Você é vocêbebê. Grudadinhos quase que o dia todo, de dia de noite, no banho, na hora de dormir, nas refeições.

Essa demanda extrema do bebê, somada as mudanças psicológicas e hormonais, os palpiteiros que minam sua confiança o tempo todo, o cansaço, a exaustão, a impossibilidade de realizar tarefas cotidianas com tranquilidade, são realidades duras do puerpério.

Mas há muita verdade no principal mantra materno “calma, isso vai passar!”. O puerpério, pode demorar, mas passa!

Para enfrentar um puerpério seria ideal que a mulher tivesse apoio do parceiro/marido, que eles estivessem alinhados tanto nas escolhas que dizem respeito ao filho, como as escolhas da própria mãe naquele momento.

Seria ideal que a mãe pudesse descansar o máximo possível e tivesse ajuda de pessoas próximas e queridas que respeitassem suas escolhas e incentivassem a amamentação, que os palpites fossem dados só se os pais pedirem, que as visitas fossem mínimas possíveis, pois a família está em total adaptação e recepcionar não é agradável nesse momento.

Passear por um parque ou praça próximo de casa regularmente, fazer coisas que te agradam como ler um livro (A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra da Laura Gutman foi essencial pra mim, super indico!), assistir uma série ou filme, frequentar o cinema, desapegar da bagunça que vai se instalar na sua casa são algumas coisas que facilitam nesse período.

Ah claro, essas atividades todas com seu bebezinho delícia no colo né, porque, não é que o berço tem espinho, na verdade é o colo que têm muito amor, carinho e proteção que ele tanto precisa nesse começo de vida.

Usar o sling (também não conhece? Dá mais um Google) aqui salvou minha vida, porque nem comer eu conseguia sem o bebê grudadinho em mim.

Possuir uma rede de apoio seja de avós, tias, mães é ótimo pra dar um alívio de vez em quando pra mamãe recém parida. Reunir um grupo de amigas que tiveram bebê próximo de você num grupo de facebook, whatsapp é muito muito muuuuuito bom. É maravilhoso esse contato com outras mães que estão passando o mesmo que você, estão com dúvidas, chateadas, querem desabafar, conversar e se relacionar com quem entende de fato aquele momento.

Conforme o tempo vai passando, você vai se adaptando, o bebê também, novos desafios vão vir (sim! Não vou dizer que vai fica mais fácil, afinal maternidade é tipo video game: você passa uma fase e a próxima é um pouco mais difícil), mas você vai conseguindo administrar e se encaixar nessa nova realidade.

E olha, outro clichezão: vale MUITO a pena!

Toda vez que seu bebê dá aquele sorriso delicioso pra você, busca seus olhos enquanto mama e dá uma risadinha leve, quando ele vai pro colo de alguém e chora querendo voltar pra você, quando ele descobre o pé, as mãos, começa a sentar, rolar, dá gargalhadas, cada vez que ele aprende algo novo é mágico. Mesmo! É de balançar o coração e fazer você repetir mil vezes “filho eu te amo, você é a melhor coisa que me aconteceu”.

Autora: Sou Fernanda, tenho 28 anos e sou mãe do Henrique de 1a5m e de um bb2 na barriga de 19 semanas. Tenho um blog onde escrevo sobre maternidade.

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