Tempo de leitura: 3 minuto(s)

Naquela época eu acordava cedo e ia trabalhar de ônibus, quando chegava a sexta-feira eu já tinha pronta uma lista de compras que eu fazia durante a semana. Ocasionalmente, eu escolhia uma receita tradicional, estudava as origens e anotava os ingredientes, incluía na lista de compras. Saia do trabalho às 5h da tarde e caminhava até o supermercado, chegava já era mais de 5 e meia. Fazia as compras na maior felicidade pq eu tinha feito a lista, eram compras para a minha casa e quem pagava era eu, com meu salário, depois ia fazer a receita escolhida a dedo, tinha tanto orgulho disso!

Quando passava as compras pelo caixa, mandava entregar em casa no dia seguinte pela manhã, mas mesmo assim, eu carregava algumas coisas na minha sacola retornável (que é muito mais confortável do que sacolas de plástico) então ia até o terminal, às vezes carregando até um vaso de manjericão, e esperava o ônibus, o lugar era lotado, raramente tinha onde sentar e quando meu ônibus já tinha passado eu esperava meia hora, quando ele não atrasava.

Chegava em casa entre 7h e 8h da noite. No dia seguinte eu e o Marcelo limpávamos a casa, a gente passava o dia fazendo isso e a noite ele me dava assistência pra fazer aquela receita especial.

Era foda depender de ônibus pra tudo, era foda quando chovia dentro do ônibus, a vida era foda naquela época.
Depois veio a vontade de construir uma família, e veio a Alice.
Alice é pessoa mais importante do mundo, Alice é minha vida, o nascimento dela foi a experiência mais linda que eu já vivi, ela fez de mim uma pessoa melhor e mais forte. Desde o nascimento dela até agora eu já me superei várias vezes, já bati meu recorde de fome, sono, dor, exaustão, já tirei um sorriso não sei de onde quando minha vontade era só de me cobrir com um edredom até a cabeça e chorar. Mas eu sou a mãe dela, e a mãe é a pessoa com quem a gente pode contar, eu não posso faltar quando ela ainda não é capaz de pegar no sono, se alimentar e nem fazer cocô sem ajuda.

Mas, não posso deixar de dizer que quando a Alice nasceu, a Lucielen morreu pra dar lugar pra mãe dela. A Lucielen é a pessoa que eu era, a mãe da Alice é a pessoa que eu sou. Demorou muito, mas eu finalmente entendi que tudo na vida acaba, tudo tem seu tempo de acontecer. E se eu tivesse a oportunidade de voltar e viver tudo de novo, eu iria a mais festas, beberia muito mais e reclamaria menos durante a minha primeira vida.

 

Autora:

Sou a Lucielen Mesa, mãe da Alice.  A gravidez foi desejada e planejada, deixei o emprego para cuidar dela, meu marido é um pai fantástico. Mas mesmo assim a maternidade é muito difícil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui