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O isolamento social e o confinamento de pessoas nunca foram tão comentados e vivenciados. No Brasil, onde temos um povo alegre, receptivo e com hábitos de contato social (como beijo no rosto, aperto de mãos e abraços), esse isolamento pode ser sentido de maneira mais significativa. 

O novo coronavírus (COVID-19) afastou as pessoas, uma medida absolutamente correta para o controle do vírus. Embora necessária, essa estratégia pode ser perturbadora para quem vê no contato social e nas atividades do dia a dia, uma forma de continuar vivendo, superando a depressão, as crises de ansiedade ou do pânico. Não é só uma questão de deixar de abraçar, mas de deixar de circular ou de fazer “o de sempre”, ações que, muitas vezes, são essenciais para a saúde emocional. 

Mas, não pense que apenas pessoas com doenças emocionais estão abatidas por causa do confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus. Uma sensação de insegurança toma conta de toda a sociedade, independente da classe social. Evidentemente, alguns grupos sentirão mais a tristeza do que outros, mas, tratar dos sintomas iniciais do estado depressivo, poderá proteger de consequências mais sérias.

Os sintomas mais evidentes de que um quadro deprimido está se instalando, são:

  • Sensação de tristeza e solidão;
  • Perda ou excesso de apetite;
  • Indisposição para atividades comuns;
  • Insônia ou excesso de sono.

Caso note um desses sintomas em si mesmo, ou em pessoas de seu convívio, busque ajuda. 

É importante ressaltar que o estado depressivo é diferente da doença depressão. No estado depressivo, a pessoa vivencia a tristeza em função de sentimentos de causa real, como a morte de um ente querido, o desemprego, entre outros. A depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um transtorno mental, que tem como característica a tristeza persistente, a perda de interesse em atividade que são prazerosas e a incapacidade de realizar atividades diárias por duas semanas, pelo menos. Quem tem a doença vive com problemas existenciais que, muitas vezes, não são palpáveis, o que faz com que as pessoas ao redor julguem e minimizem a dor que o indivíduo sente. 

O ponto a ser destacado é que o estado depressivo pode evoluir para uma depressão se não for tratado. Isso é principalmente mais relevante em caso de pessoas predispostas geneticamente, ou com casos na família. 

Para evitar que a tristeza do isolamento social neste período de COVID-19 se transforme em casos grave de depressão, separamos algumas dicas para aliviar as tensões. Confira: 

  1. Retire alguns minutos do dia (15 a 20) para repensar sobre o privilégio da vida;
  2. Procure falar de assuntos otimistas e esperançosos;
  3. Estipule pequenas metas de conquistas no dia. Levantar e preparar o café, por exemplo;
  4. Não se abale por estar triste. Aceite que nem todos os dias são iguais;
  5. Procure escrever, desenhar ou fazer uma chamada de vídeo ou voz com alguém querido;
  6. Alimente-se bem. Caso tenha pouco apetite, coma pouco, mas coma saudável;
  7. Movimente-se, na medida do possível. Alongamentos leves já serão eficientes;
  8. Peça e aceite ajuda de amigos;
  9. Assista filmes e séries que te façam sorrir e gargalhar;
  10. Considere fazer terapia com um especialista, on-line.

Tecnologia para aproximar

Nesta última dica, destacamos a essencial ajuda que os atendimentos on-line estão proporcionando a profissionais e aos pacientes. Eu, por exemplo, já desenvolvia este método com pacientes previamente selecionados e autorizados. Agora, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) orientou que, neste período de COVID-19, a flexibilização no atendimento on-line poderá ocorrer sem que haja prévia autorização de cadastro específico, ampliando os atendimentos, o que foi muito positivo. 

Além dos pacientes já atendidos anteriormente, que foram transferidos para a modalidade a distância, temos recebido outras pessoas para atendimentos pontuais, que relatam angústia e ansiedade e que encontram, na sessão de terapia, alívio e apoio para entenderem suas emoções. 

É válido destacar que a tecnologia poderá ser usada durante este período para outras atividades prazerosas, como jogos, filmes, seriados, videoconferências com amigos e familiares, livros em aplicativos e tantas outras possibilidades. Como em qualquer momento da vida, o equilíbrio é o segredo para que nossas emoções e organismo possa se adaptar de maneira mais rápida ao isolamento, sem que haja tantos efeitos negativos. 

Acredito que, mesmo após o surto do novo coronavírus no Brasil, teremos outras questões emocionais para tratar, e acredito que manter o diálogo, reconhecer suas emoções e buscar apoio são formas essenciais de mostrar a força do ser humano em viver um dia de cada vez, mesmo em meio às crises da humanidade. 


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