Poesia – Mainha, agora és eternidade

Hoje, quando olho para o céu,

não procuro apenas a ausência.

Procuro a luz.

Aquela mesma luz

que a senhora carregava nos olhos,

no sorriso,

na força de quem atravessou tempestades

sem deixar de acreditar na vida.

Porque a morte pode silenciar uma voz,

interromper um abraço,

deixar vazia uma cadeira,

mas existe algo que ela nunca alcança:

o amor.

E a senhora, Mainha,

foi amor em tantas formas.

Foi colo quando o mundo pesava,

foi coragem quando a vida exigia força,

foi alegria chegando pela porta,

risada espalhada pela casa,

música, dança, conversa,

comida feita com carinho

e família reunida ao redor da mesa.

A senhora fazia dos pequenos momentos

grandes acontecimentos.

Talvez por isso

as lembranças tenham se tornado

tão preciosas agora.

A senhora viveu intensamente.

Enfrentou batalhas

com a coragem de uma guerreira

e nunca permitiu que as dificuldades

contassem a sua história por você.

Sua história foi escrita

pela maneira como amou,

pela família que construiu,

pelas pessoas que acolheu

e pelas marcas que deixou

em cada coração que encontrou.

Hoje começo a compreender:

há pessoas que não partem.

Permanecem.

Permanecem no jeito que nos ensinaram a amar,

na coragem que deixaram dentro de nós,

nos valores que plantaram na família,

nas histórias repetidas entre risadas e lágrimas

e nas memórias que atravessarão gerações.

Um dia nossos filhos contarão aos filhos deles

quem a senhora foi.

E assim, Mainha,

seu nome continuará caminhando pelo mundo.

Olho para Painho

e vejo cinquenta anos de uma história

que nem o tempo,

nem a distância,

nem a despedida

conseguirão apagar.

Porque um amor verdadeiro

não termina quando alguém parte.

Ele apenas aprende

uma nova maneira de existir.

E quando olho para Antônio,

meu coração agradece a Deus.

Agradeço porque ele conheceu seu abraço,

sentiu seu carinho,

ouviu sua gargalhada

e esteve, ainda que por tão pouco tempo,

diante da grande mulher que foi sua avó.

Talvez ele não guarde todas essas lembranças.

Mas eu guardarei por ele.

E um dia vou contar:

“Antônio, sua avó era extraordinária.”

Vou contar sobre sua força,

sua alegria,

sua elegância,

sua coragem

e essa maneira tão sua

de transformar qualquer encontro

em celebração.

Quando a saudade apertar,

vou imaginar a senhora como uma águia.

Livre.

Voando acima das tempestades,

alcançando lugares

que os nossos olhos ainda não conseguem enxergar.

E talvez seja isso a eternidade:

continuar existindo

onde as mãos já não conseguem tocar.

A senhora sempre foi luz.

E eu gosto de acreditar

que Deus não apaga

as luzes mais bonitas.

Apenas as recolhe

para que brilhem

em outros caminhos.

Por isso, hoje,

não peço que volte.

Mesmo que meu coração, às vezes,

ainda deseje mais um abraço,

mais uma conversa,

mais uma risada,

mais um instante.

Eu apenas peço a Deus

que a acolha em Sua infinita paz.

E peço à senhora:

quando a saudade for maior que a minha força,

continue perto.

Seja brisa tocando meu rosto.

Seja música trazendo lembranças.

Seja aquele sorriso inesperado

que nasce no meio de um dia comum.

Seja luz.

A mesma luz

que sempre foi.

Nós seguiremos, Mainha.

Seguiremos porque foi isso

que a senhora nos ensinou.

Levaremos conosco

seu nome,

seus valores,

suas histórias,

sua coragem

e esse amor imenso

pela nossa família.

Obrigada por tudo o que foi.

Obrigada por tudo o que deixou.

Obrigada por ter feito da família

seu sonho,

seu abrigo

e sua maior obra.

A senhora não desapareceu.

Transformou-se.

Virou memória.

Virou saudade.

Virou ensinamento.

Virou história.

Virou amor.

Virou eternidade.

E enquanto houver alguém

contando suas histórias,

repetindo seus ensinamentos,

lembrando sua gargalhada

ou pronunciando seu nome com amor,

a senhora continuará aqui.

Nós te amaremos hoje,

amanhã

e por toda a nossa existência.

Descanse na paz infinita de Deus, Mainha.

Sua missão aqui

foi cumprida com amor.

Agora existe uma estrela a mais no céu.

E, entre tantas luzes,

eu sei que reconheceria a sua.

Porque ela ainda brilha

com a mesma intensidade

com que a senhora

iluminou nossas vidas.

Para sempre, Mainha.

Para sempre em nós.

Escrito por: Renata Lins – Instagram: @designse.re

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