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Passar os dias em casa por causa da pandemia de coronavírus é chato para todos. Mas, para o adolescente, com sua usual intensidade e urgência, isso parece decretar o fim de sua vida social.

Apesar de não ser uma profissional da área da saúde, tive que explicar para minha filha sobre período de incubação, doentes assintomáticos e outros assuntos que não costumam estar em nossas conversas cotidianas. Mas nessa idade, existe a sensação de ser indestrutível, o que fez com que muitos dos meus argumentos fossem recebidos com descrença, me trazendo o rótulo de mãe exagerada.

Ao mencionar fatos de outros países, onde as pessoas foram proibidas de saírem de casa, a resposta que tive foi que não estamos nesses lugares. Como se a informalidade e transgressão, que tradicionalmente permeiam nossa cultura, nos garantissem alguma proteção adicional contra o vírus.

Como se o assunto já não fosse difícil o suficiente, minha filha continua a ser chamada para festas, passeios no shopping, na piscina, na praia e etc. Afinal, os colégios suspenderam as aulas e parece que a maioria dos seus amigos está aproveitando essas ‘férias fora de época.’

Numa idade em que o pertencimento ao grupo é tão importante, ser uma das únicas mães que impede a participação da filha na agenda social me leva ao rótulo de mãe carrasca, sem coração. Aquela que não entende o que é importante para a filha.

Por isso, aproveito esse espaço para fazer um chamado às outras mães de adolescentes. Onde moro, as aulas já foram suspensas, e me parece que esse é o destino provável de outros lugares também.

Faço meu pedido para que meu esforço de manter minha filha em casa nesse período sem aulas não seja uma batalha individual minha, e sim um objetivo comunitário. Juntas, será mais fácil explicar aos nossos adolescentes que as festas e passeios podem e devem ser adiados. Juntas, os desafios parecem menores.

Juntas somos mais fortes.

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Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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