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Não é fácil não conseguir ajudar.
Não é fácil saber que uma de nós morreu em cima de uma poça de sangue em decorrência de um aborto clandestino.
O feminismo, ele é uma ferida aberta.
É a exposição das porradas que a gente tomou,
Da nossa solidão,
Da violência do Estado,
Dos nossos corpos sem vida.
Eu ouvi minha mana chorando no telefone hoje me contando que uma das nossas não pôde ser ajudada.
Ela não teve seu direito de escolha respeitado e morreu lutando pela liberdade de seu ventre.
É uma tragédia tão próxima, bateu na nossa porta.
A gente acha que consegue ajudar todas, mas uma de nós hoje morreu.
O Estado a matou.
A religião a matou.
O machismo a matou.
A sensação é de fraqueza.
Tristeza profunda.
Impotência.
Desespero.
Poderia ter sido eu.
Poderia ter sido você.
E nesse mar de sangue de realidades que poderiam ter sido, poderia ter sido também um aborto legal, seguro e gratuito.
A Luiza ainda estaria aqui.

A gente fala nenhuma a menos, mas continuam nos matando.

Ainda não deu pra dizer em voz alta que hoje uma mana morreu.
É difícil admitir que precisamos lidar com essa realidade.

Ela não é a única, não será a última.
Eu só consegui escrever que a minha luta se reforça hoje.
Luto sempre foi nosso verbo.
Luiza presente pra sempre entre nós e na nossa luta.

NOS QUEREMOS VIVAS.
NENHUMA A MENOS.

Autora

 

Marcelli Zillo. Mãe solo da Olivia, ativista na luta feminista e fotógrafa.

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