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Você engravida.

A partir desse momento, sua vida muda.

Sua prioridade agora é manter duas pessoas vivas, duas pessoas saudáveis, duas pessoas nesse mundo. A criança nem nasceu, mas a necessidade de cuidar já está ali.
A maioria das pessoas não entende muito bem o que é NECESSIDADE. Elas falam que necessitam de roupas, jóias, viagens, carros, dinheiro. Pra mim, é aquilo que você praticamente não consegue CONTROLAR. Respirar. Beber água. Comer. Fazer xixi. Fazer cocô. Dormir. Amar.

Quando você tem seu bebê, é uma necessidade amar. Cuidar. Proteger. Aninhar nos braços. Até olhar é uma necessidade. Você simplesmente não consegue viver mais sem.
Essa necessidade é combustível para seu futuro, para tudo que vai te guiar à partir daquele momento que você viu o palitinho mostrar as duas faixas ou, pra muitas mulheres, quando vê o rostinho do bebê pela primeira vez.

Necessidade.

A criança nasce e a necessidade é devastadora. Você quase não consegue controlar seus sentimentos. Um instinto tão primitivo de proteger, cuidar e resguardar nasce e você simplesmente esquece que é um ser racional, tamanha é a necessidade de ficar perto e deixar perto de você aquele ser tão precioso. E, conforme a criança vai crescendo, a necessidade só aumenta! De ensinar, de mostrar o mundo, de explicar a vida…

Mas, antes disso, às vezes tem a separação. Quando seu bebê precisa ficar longe de você, seja por algumas horas, seja por alguns dias. E nada no mundo te prepara pra falta que aquele serzinho minúsculo vai fazer. NADA. Você praticamente sente que um pedaço seu está ficando pra trás, é como se estivessem tirando seu ar, como se seu coração estivesse sendo partido, como se o mundo estivesse todo errado.

Sim, amigos, isso é NECESSIDADE. É tão forte e tão intensa que você não faz ideia de como lidar. Você poderia me dizer para aproveitar, curtir essas horinhas/dias de “folga” da cria pra poder cuidar de mim, da minha vida como mulher, mas como eu explico isso pra meu coração? Que dói a todo momento pela distância que foi infligida pelo mundo? Parece exagero e um drama sem fim, mas, meus caros, não é.

Você se sente livre e presa ao mesmo tempo, feliz por poder respirar um pouquinho, de poder dormir um pouco mais, de poder usar o banheiro à vontade sem ter um par de olhos te acompanhando, mas, ao mesmo tempo, você sente a todo momento essa necessidade de ter ali ao seu lado seu bebê. E aí vem a culpa. A velha culpa, tópico para outra discussão e fonte de muitas frustrações.

Toda mãe amorosa e dedicada ao filho já sentiu isso.

E o pior de tudo é você ter que lidar com o desdém que muitas pessoas têm. Pessoas que não entendem essa necessidade, pessoas que mostram claramente que é exagero da sua parte, que te julgam e, pasmem, te diminuem e diminuem sua dor. Te diminuem como MÃE. Isso é intolerável, inaceitável, e real. Acontece.

Simplesmente porque essas pessoas não entendem sua NECESSIDADE como mãe. E elas não entendem porque não SÃO mães. Podem ser avós, tios, primos e até mesmo pais, mas não entendem o vínculo que nós temos, criado desde que descobrimos que carregávamos DENTRO DE NÓS um ser frágil e pedaço de si. NÓS CARREGAMOS. Nós sentimos, nós sofremos, nós abdicamos. Pelo bebê. Nós, mães.

E não somos só nós que temos essa necessidade. O bebê também. Ele precisa de nós, precisa do nosso colo, do nosso carinho mas, acima de tudo, de NÓS. De corpo e alma. Você também não consegue entender esse vínculo sem ser mãe.

E aí vem alguém te achar substituível. Transformar essa sua necessidade em algo banal. Tenta mostrar ao mundo que não é tudo isso. Esse alguém – e toda mãe tem um na vida – acha que pode mudar essa necessidade que você tem. Sem entender que seu bebê TAMBÉM tem essa necessidade. Tem essa necessidade de você, MÃE. Não é um vínculo unilateral. São duas criaturas que precisam uma da outra pra viver.

Então, meus caros amigos e amigas, entendam, expliquem e esclareçam. Ajudem o mundo a entender um pouco mais nós, MÃES. Que sofremos com tanta necessidade e com tantos julgamentos. Que sofremos com o desdém.

Que sofremos de amor. E de necessidade.

 

Autora

Tatiane Braz. Inúmeras profissões não remuneradas, mas a principal – e mais importante da vida – é ser mãe do Milo.

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