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Coisa simples que antes eu gostava, depois da maternidade, já não era mais algo que eu pudesse aproveitar como, por exemplo, prova para ser feita pelo portal eletrônico da faculdade. 

Antes da Moana nascer, poder responder uma prova em casa pela internet era uma grande felicidade para mim. Então, certa vez um professor marcou uma prova online e toda a turma comemorou, eu por minha vez não me animei tanto, pois já sabia que os únicos momentos em que poderia me concentrar de verdade em aulas, provas, trabalhos e etc, eram na própria faculdade, em casa meu rendimento não era o mesmo.

Mas tentei ser otimista, vai que dessa vez eu consigo, poderia até ir para a faculdade e responder por algum computador da biblioteca. 

Os dias passaram e quando finalmente o dia da prova chega o que acontece? Moana está doente, cheia de catarro, tosse, catarro, febre. Já não tinha como ficar na faculdade para responder a prova por lá mesmo, pois além de estar preocupada e saber que ela precisava de mim, a creche não fica com a criança se ela estiver doente. 

Continuei tentando ser otimista e manter a calma, eu ainda tinha sete horas para responder a prova, vai dar certo, sei que vai. Só preciso esperar meu marido chegar do trabalho para ficar com ela para eu poder me trancar no quarto rapidinho para responder a prova.

Meu marido chegou e a noite também, com a chegada da noite Moana foi piorando. Sua respiração estava pesada e ela chorava bastante. Mas eu ainda tinha cinco horas para terminar a prova e enviar ao professor. 

No quarto tentando ler a prova, entender e responder, mas Moana chorava e eu saia para colocá-la no peito, que parecia a única coisa que a consolava, ela adormecia, eu a colocava no berço e voltava para a minha prova… cinco minutos depois Moana acordava chorando mais um vez, e mais uma vez eu ia pegá-la para acalentá-la em meu peito. 

Esse ciclo se repetiu tantas vezes que quando percebi faltavam apenas vinte minutos para o término da prova. Tentar manter a calma e o otimismo a esta altura já era impensável para mim, eu estava em desespero. 

Mais uma vez Moana acordou chorando mas dessa vez eu não a peguei , precisava terminar a prova sem perder nem mais um minuto. 

Vocês já tentaram se concentrar em uma prova com a cria doente chorando no quarto ao lado? 

Meu marido a embalava e por mais que tentasse não conseguia acalmar a pequena Moana nesse dia. Ouvindo tudo do meu quarto com um grande nó na garganta, mas sem chorar, se chorasse a visão ficaria turva e eu não conseguiria responder a prova, então engoli o choro e continuei correndo contra o tempo.

Faltando três minutos para o fim do prazo, me sentindo incompetente, enviei a prova, deixando muito a desejar e não consegui mais conter as lágrimas que escorreram pelo meu rosto.

Corri até o cômodo onde meu marido estava a embalando tentando a acalmar, sem sucesso, e peguei para colocar colocar no peito. Mas dessa vez não funcionou. Colocava o peito na boca dela, mas no mesmo segundo ela fazia um som estranho como se fosse vomitar e jogava a cabeça para longe do meu peito chorando ainda mais. 

Foi aí que eu desabei. 

Chorei. Chorei muito. Chorei pela prova que eu não consegui fazer. Chorei pela minha filha que eu não conseguia acalentar. E naquele momento me sentia uma péssima aluna e péssima mãe. 

Lucas, que estava mais calmo, conseguiu me acalmar e percebeu que Moana não mamava porque estava com nariz congestionado e por isso respirava pela boca. Após uma lavagem nasal para melhorar a respiração da Moana fomos ao hospital.

Depois disso passei duas semanas sem ir a aula da matéria que fiz a prova online, com vergonha de olhar para o professor depois da prova meia boca que eu enviei.


Autora: Tennyelle Belisario, Bacharel em Direito e Pós graduanda em Penal/Processo Penal. Instagram: @mae_e_academica e @tnl_belisario

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