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Algumas grandes mulheres que conheço e admiro voltaram ou não pararam de trabalhar com a chegada dos seus filhos. Noutras, vi um desejo latente de “mudar de função” para o maternar exclusivo, e acompanhei de perto suas frustrações diante da impossibilidade. De toda a minha rede, conheci apenas um homem (que muito admiro em sua existência) que assumiu com exclusividade esta função.

Tantas mulheres, também incríveis, que conheço, ávidas por mudanças, por uma rede de apoio e de descanso que seguem na contramão num trabalho muitas vezes exaustivo e invisível, mas não menos prazeroso e gratificante.

Não menos mulheres e feministas, por ocupar este lugar tantas vezes subestimado.

Não menos mulher.
Não menos feminista.

Você esta com tempo?!
Você parou de trabalhar?

Essas perguntas surgiam com frequência desde que meu filho nasceu, e isso me dava um desconforto esmagador!

Porque eu sentia uma necessidade significativa de me justificar sempre que a pergunta surgia?

Porque esta pergunta insistia em surgir?

Eu tinha que seguir um script social e ocupar uma função acadêmica para ser validada?

Então, sou menos mulher ou menos feminista por me dedicar a função materna?

Não.

Não parei nem por um segundo de trabalhar desde que meu filho nasceu.
Assumi esta função por desejo e privilégio.

Sim, privilégio! Poucas famílias podem abrir mão de uma renda financeira familiar para que um cuidador assuma esta função não remunerada.

Sim, por desejo! Desde que chico chegou em nossas vidas (isso inclui vida uterina) quanto mais estudava e me informava, mais vontade tinha de me dedicar exclusivamente aos seus dois primeiros anos de vida!

Precisei acolher minhas angústias diante do julgamento, entender que o que é do outro e o que é meu nesta troca de papeis tão sutil que tenta nos roubar o lugar que ocupamos por decisão.

Busquei estratégias assertivas para ter empatia neste universo tão cheio de exigências e padrões falidos. Me coloquei no lugar do outro, que ali, de fora da minha existência, achou necessário me alertar sobre o “lugar” que deveria ocupar, eles ainda não sabem, mas tenho autonomia e liberdade de ação!

E principalmente, respeito! A mim mesmo, as minhas escolhas e tomadas de decisões.
Deixo minha sororidade a todes, que por escolha e/ou necessidade ocupam esses espaços tão importantes e tão invisíveis. Muitas vezes tão solitário e julgado.


Autora: @psi.robertaalbert. Sou Roberta Albert, mãe do Francisco de 2 anos e 5 meses. Exerci meu maternar exclusivo por 2 anos e 3 meses, quando retomei e acrescentei as minhas funções a psicologia. Escrevi esse texto trazendo minha experiência e a observação do exercício materno que me cerca!

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