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Onde nós estaremos?
Será que conseguiremos? Chegaremos?
Um ano todinho se passou, e esta era minha realidade naquele momento em que o mundo todo estacionou. Grávida de oito meses.
Me lembro de ter ido em uma loja comprar o que faltava um dia antes de tudo se fechar pela primeira vez.
Senti medo de tudo. De todos.
Me isolei completamente naquele último mês para escapar de algo que ninguém sabia ao certo de onde vinha, o que fazia e como agia.
Tentei me apegar ao privilégio de poder estar com a primogênita até o último segundo, já que aquela relação em breve seria diferente.
E assim passamos o isolamento, em meio a brincadeiras, sorrisos e choros disfarçados por cada planejamento que ia sendo desfeito.
Ela chegou, e as lembrancinhas que fiz na esperança de em breve receber amigos e mais familiares, ficaram guardadas. Empoeiradas.
Chegamos! Conseguimos. Era isto que mais importava, e me fazia ser tão grata.
E seguimos aqui vivenciando o desabrochar da vida dia após dia, enquanto milhares de corações param de pulsar.
Um sentimento que nunca havia explorado, e que hoje me habita e aperta o coração desde o início. Como se a alegria de uma casa cheia de sorrisos fáceis ecoassem junto a dor de casas que estão ficando vazias.
Queria deixar meu abraço a todas as grávidas que sentem hoje a minha angústia de ontem.
Que carregam vida nova, enquanto as perdas crescem descontroladamente.
Queria pedir sua calma, e sua entrega nas mãos do único que realmente sabe de seus anseios. O seu ventre carrega o milagre, traz a esperança, e a certeza de que não estamos sozinhos! Nunca estivemos.


Autora: Eila Andrioli – Instagram: @coisasdeila

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