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Dei chupeta. Dei mamadeira. Amamentei por menos de 1 ano. Tive parto normal implorando por cesárea, chorei de tristeza no puerpério por querer minha vida de volta, chorei de culpa por não querer estar sem ele.

Eu, a mãe.

Estava de volta na faculdade após 1 mês de pós-parto; fingi que não via problema em ficar algumas horas longe do meu bebê; fingi costume com as expectativas das pessoas.

Eu, a mãe.

Chorei com medo do futuro que o espera, chorei com medo do presente que me arrebata, chorei com medo do dia de amanhã que é misterioso demais, apesar de estar tão perto.

Chorei de emoção levando-o para ver o pôr do sol deitado no carrinho, depois sentado sem apoio, depois em pé segurando a minha mão, depois andando sozinho.

Eu, a mãe.

Preciso estar atenta ao mínimo, preciso me desacostumar com o silêncio, preciso ressignificar as dificuldades do início. 

Eu, a mãe.

Quero sentir o cheiro dele pra sempre, quero vê-lo gargalhar eternamente, quero fazê-lo brincar o quanto possível.

Quero contemplar aquele sorriso inocente, quero caminhar com ele até nossos pés ficarem dormentes, quero apenas estar aqui para ser exemplo. 

Não quero nunca mais deixar de sentir esse amor; não quero nunca mais voltar a desconhecer quem eu sou.

Não quero nunca mais olhar para trás gostando mais de quem eu era, porque o que eu sou hoje, é pelo que você é.

Autora: Ana Catarina Cabral.

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