Entre o autismo leve,
E a cara de normal,
90% das mulheres autistas
Já sofreram abuso sexual.
Ninguém quer ouvir o grito
Por trás do olhar contido,
Silêncio não é paz,
É o trauma escondido.
Leitura literal
Num mundo de duplo sentido,
Ser autista é confiar demais
E ser punida por isso.
A gente cresce aprendendo
A calar pra sobreviver,
E somos chamadas de loucas,
Quando tentamos nos defender.
O toque sem consentir,
O medo de não ser ouvido
É o corpo inteiro gritando
A dor de um ser ferido.
Entre o autismo leve,
E a dor não compreendida.
Trinta e seis anos,
É a nossa média de vida.
Não somos só números,
Nem estatísticas frias.
Somos vozes que falam,
Por direitos e por dias.
Dias de aceitação,
De respeito e inclusão.
Onde o autismo,
Seja mais do que uma condição.
Queremos viver inteiros,
Com afeto e acolhida.
Ser quem somos de verdade,
Sem ter que buscar a saída.
Porque entre o silêncio e o grito,
Há um mundo a ser ouvido.
Autistas é o que somos,
Não é um erro a ser corrigido.
Entre o “autismo leve”,
E a falta de acolhimento.
Estão vidas perdidas,
Em um triste sofrimento.
O seu capacitismo,
Velado ou declarado.
É muro invisível,
Que nos deixa isolados.
Muitos não resistem,
À dor da invisibilidade.
Perdemos as batalhas,
Sem ter oportunidade.
Não é exagero,
Não é vitimismo.
É o peso diário,
Do seu negacionismo.
Queremos existir,
Com dignidade e amor.
Nós não somos o problema,
E temos nosso valor.
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Autora: Adriely Werneck / @drykahwerneck / @poesialisergica





