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Alergia não é brincadeira!

Alergia não é frescura!

Alergia não é coisa de gente rica! 

Alergia é uma reação do sistema imunológico que, se não for tratada da forma correta, pode levar a óbito!

Descobri a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) – e que não é intolerância a lactose! – quando o Enrico tinha 3 meses de vida. Teve refluxo, não aceitou o leite materno, apareceram feridas pelo corpo e foi assim que descobri que a dermatite era um sinal da APLV. 

A partir do diagnóstico, enfrentamos uma longa caminhada. Felizmente, apesar das mazelas do nosso país, conseguimos receber a fórmula especial que ele necessitava tomar por um hospital de alto custo no SUS. 

Cada lata, na época, custava R$ 199,00 e durava 3 dias! Já cheguei a ficar 4 horas esperando na fila para receber o leite – e dou graças a Deus por ter conseguido manter o tratamento do meu filho. 

Como mãe, tive que correr atrás da informação e dos conhecimentos necessários para que meu filho tivesse pudesse ter a vida mais saudável e normal possível. Todos os objetos de uso pessoal eram separados (inclusive panelas, panos de prato, etc). 

Apenas os alimentos naturais eram oferecidos o que, com o tempo, já não era suficiente. Aprendi a fazer bolo, pão, biscoitos, tudo sem leite e sem ovo!!! Foi uma grande escola! 

Quando o Vittorio nasceu, felizmente, a mamãe aqui já estava esperta! E aos primeiros sinais de sangue nas fezes já sabia que percorreríamos essa caminhada mais uma vez! Os dois tomaram a fórmula especial até completarem 2 anos de vida (após essa idade o recebimento do leite é suspenso e somente por via judicial se consegue continuar com o tratamento). 

Diante das circunstâncias e por já estarem consumindo outros alimentos, passamos a utilizar leite de arroz, de amêndoas, de aveia (que também não são baratos – em torno de R$ 20,00 o litro). Para quem tem criança pequena sabe que eles são verdadeiros bezerrinhos, então, manter o estoque de leite foi um desafio. 

Por aqui, eles sempre fizeram acompanhamento com o gastropediatra – bendito Dr. Fabrício, e também já passaram por outras especialidades médicas como alergista e homeopatia. Com o tempo, o tipo de manifestação da alergia mudou!

O que começou com sintomas gastrointestinais e dermatológicos (sangue nas fezes, feridas pelo corpo), migrou para a parte respiratória – e foi aí que nossa caminhada viveu os dias mais tristes e difíceis. 

Foram 5 internações ao todo, sendo que o Enrico chegou a ficar na UTI por 2 dias. Vittorio teve reação alérgica a amoxicilina e passamos uma semana internados sob intensos cuidados. Mas o pior momento foi em setembro de 2018 quando, no meio da separação, os dois foram internados! 

No dia em que o Enrico saiu da UTI, Vittorio foi internado. Como tinham diagnósticos diferentes, cada um teve que ficar em um quarto. Nessa hora, e em frangalhos que eu estava com a vida virada de cabeça pra baixo e do avesso, eu revezava de quarto com minha mãe – correndo pelo corredor do hospital para ir de um quarto ao outro para acolher meus filhos. 

A noite, o pai deles vinha para revezar com minha mãe. Mas eu fiquei 5 dias internada, com dois filhos. Hoje, olhando para trás, penso que só consegui isso porque já estava morta por dentro mesmo. E nessa hora, tenho certeza de que Deus é que me manteve de pé. Depois desse fatídico episódio, ainda passamos por outras duas internações do Vittorio. 

Enfim, hoje em dia eles estão bem. São asmáticos e fazem uso de medicação contínua para controlar as crises e outras manifestações. Já consomem alimentos com derivados de leite, ovo e soja e tem uma vida praticamente normal. 

É claro que continuamos com todos os cuidados porque, uma vez alérgico, para sempre alérgico. E mesmo que o organismo se acostume com o contato a certos alimentos ou produtos, nunca se sabe quando poderá haver uma nova reação!

Por isso, deixo o alerta: alergia não é frescura!

Respeitem as crianças com alergia e não julguem as mães pelos cuidados – aparentemente – excessivos! Não ofereça alimento escondido porque tem dó da criança! Você pode colocar aquela vida em risco!

Empatia nunca é demais!


Autoria: Cláudia Cristina de Oliveira Pereira, mãe do Enrico e do Vittorio. Licenciada em Pedagogia (UNESP), Mestre em Ciências: Educação e Saúde (UNIFESP) e Doutoranda em Educação (USP). Insta: @claudiacopereira 

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