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Esse ano completo 30 anos de idade. Não que eu ligue muito para essas coisas de idade. Mas tem algo ligado a esse número que nos faz refletir sobre nossas vidas. Sobre o que já conquistamos nesse tempo que estamos na terra. E observei que constantemente estou me cobrando se já cheguei onde queria estar.

Eu tive muita sorte e muitas privilégios na vida. Tive uma boa base familiar. Estudei em escolas particulares. Cursei uma faculdade sem precisar trabalhar para custeá-la. Eu saí com tantas vantagens da linha de partida. E mesmo assim, ainda não cheguei na linha de chegada.

Lembro das expectativas irreais que tinha quando era adolescente. Quando o 30 parecia ser um número muito distante. Naquela época eu achava que aos 30, estaria casada, com dois filhos, com uma carreira super bem estabelecida e, claro, seria rica.

Eu achava que pessoas de 30 anos não tinham dúvidas sobre nada. Eu já teria descoberto o segredo da felicidade. Seria tão sábia que poderia até ensinar outros como chegar no mesmo sucesso que o meu.

Me lembro de um dia julgar o irmão mais velho de uma amiga porque tinha 27 anos e ainda dependia da ajuda financeira dos pais.

(Pausa para rir sozinha da minha ingenuidade.)

Eu tinha tantas certezas aos 16 anos de idade quando me inscrevi nos vestibulares. Aos 17 anos, comecei minha faculdade de Direito. Ia ser Delegada de Polícia. Eu sabia quem era e onde queria chegar. Cursei os cinco anos da graduação sem perder uma noite de sono sequer com dúvidas sobre meu futuro.

Aos 22 anos me formei. Pela primeira vez na vida, saí de férias em dezembro sem ter aula para voltar em fevereiro. E pela primeira vez senti medo. Tive dúvidas do que aconteceria dali para frente.

Foi quando mudei de rumo pela primeira vez. Decidi que não queria ser Delegada. Queria liberdade e flexibilidade. Decidi ser advogada autônoma. Sim, era isso que eu queria. Eu ia advogar, ia ser a melhor na minha área, em alguns anos estaria rica.

Spoiler: não fiquei rica.

(Segunda pausa para rir sozinha da minha ingenuidade.)

Na verdade, após alguns meses advogando, a única coisa que atingi foi a certeza de eu odiava aquilo com todas as minhas forças.

E então, me desesperei. Havia passado cinco anos da minha vida estudando e em poucos  meses descobri que aquele mundo não tinha nada a ver comigo, com os meus valores e com a minha personalidade.

O que eu faria então? Passaria o resto da minha vida infeliz porque eu já tinha gastado 5 anos? Eu trocaria 5 anos por 50 anos? A resposta foi: não.

Desisti da área do Direito. Mas não foi fácil. Ouvi julgamentos. Mas o pior julgamento veio de mim mesma. Me sentia uma perdedora, fraca, burra. Me afundei naqueles pensamentos. E demorei para me reerguer.

Trabalhei em outras áreas apenas para ganhar dinheiro. Comecei uma nova faculdade, engravidei em seguida e tive que desistir do curso. Depois, parei de trabalhar um tempo para cuidar do meu filho.

Voltei para o mercado de trabalho aos 26 anos. Achava que já sabia mais da vida. Realmente sabia mais do que aquela menina de 16 anos que se inscreveu no vestibular para Direito. Mas ainda tinha tanto a aprender.

Empreendi, trabalhei por conta, comecei um negócio, mudei para outro.

Tem gente que me acha louca. Que nunca estou satisfeita com nada. E talvez seja verdade. Afinal estou às portas de fazer 30 anos e cá estou pensando em mudar os rumos novamente.

Ao contrário do que eu pensava, estou chegando aos 30 com mais perguntas do que respostas. Mas a diferença é que não tenho mais medo de perguntar. Não tenho mais vergonha de ir atrás da minha realização pessoal e profissional.

Eu era uma aos 16, fui outra aos 22, outra aos 26 e agora com 29 também já não sou mais a mesma. A única certeza que tenho é que estou constantemente evoluindo.

Nossas paixões mudam e com isso nossos objetivos também podem mudar. Agora sei que tudo bem não saber o que quero fazer pelo resto da minha vida. A verdade é que não existe linha de chegada, somente o caminho.

Autora: Raíssa Brundo de Freitas – Mãe do Benício, advogada por formação, escritora por paixão. – @inquietacoesdeumamae


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