Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Costumo dizer que eu odeio ser mãe. Isso soa tão, mas tão pesado que até eu mesma me julgo e me saboto muitas vezes. Mas quem é que foi que disse que a gente tem que gostar desse trabalho que depois que inicia, não acaba mais, se estende pelo resto da vida? 

Cada fase desperta mais e mais admiração pelas filhas e filhos, a gente vibra a cada vitória deles, seja ela qual for, do jeito que for, e com isso vem além de emoção, o verdadeiro significado de amor. A gente ama, a gente sabe amar os filhos, não a maternidade. 

O meu ranço com a maternidade vem pelo fato dela se tornar uma prisão e fazer com que eu, prisioneira desta condição não consiga por muitas vezes comer uma comida quentinha, tomar um banho demorado, fazer xixi sem companhia, sair para fazer qualquer coisa sem me preocupar em ter hora pra voltar, desligar, do dia, do mundo, da vida por algum período, não dá, mãe não desliga. 

Estou escrevendo esse texto enquanto amamento uma bebê e escuto a outra criança chamando: “mãe, manhee, mamãe..” lá do quarto para entrar em uma cabana de lençol com ela. Enquanto isso os trabalhos domésticos se acumulam com um piscar de olhos, além do looping eterno do troca a fralda, amamenta, faz dormir e os trabalhos da faculdade então, vão ficando para os últimos dias do prazo, a gente vai se virando como dá. 

A maternidade pesa os ombros, os olhos e o coração. A gente ama, e como ama, mas também cansa, e como cansa. E é preciso falar sobre o privilégio de dividir a responsabilidade e os afazeres com o pai, além de ter um grupo de apoio que acolhe cada momento, mas ainda assim sentir todo o peso jogado ao colo da mãe, a gente não precisa sofrer tanto, o que a gente precisa é se sentir livre novamente.


Autora: Mãe de duas, feminista, estudante, ativista e política inconformada.
Instagram e Twitter: @franbonaci Facebook: Francyelle Bonaci – perfilFran Bonaci – página 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui