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Na minha vida profissional, onde envolve a pedagogia, é inevitável não falar sobre minha trajetória, pois dar forma às lembranças das experiências acadêmicas é um importante e árduo exercício pelo trabalho de reflexão que todo o contexto geral da minha experiência pessoal e profissional exige.

Oito anos atrás não sabia quase nada sobre Autismo por um único e breve motivo: eu não precisava. Penetrar na redoma psíquica de uma pessoa com Autismo requer habilidade, empatia, paciência, muita paciência que eu acredito piamente que não nasceu comigo, porém, oito anos atrás nascia Anthony, logo após, o diagnóstico de Autismo, e mais após, nasce a mãe, a cuidadora, a professora e todo o resto.

Foi nessa abordagem que meu olhar encontrou novas formas e novos contornos, e foi revisitando as escolhas que fiz diante das oportunidades que tive, que fui entendendo o meu real papel como mãe e educadora. Não só buscando a inspiração com o mundo lá fora, mas vivendo integralmene a rotina de uma pessoa com Autismo que eu decidi dar o meu melhor no caminho que escolhi e assim poder levar toda minha experiência, cuidado e dedicação por onde meu trabalho for. 

A cada oportunidade de exploração pude ter a certeza de que era isso mesmo que eu queria para a minha vida, não só como trabalho, mas como como causa, como ideal, como futuro. Fazer com que as pessoas entendam que a pedagogia não se resume apenas a “cuidar de criança”, são exemplos bobos de como ainda tratam a pedagogia com tanto desdém.

A importância da pedagogia, em todos os âmbitos da educação, é primordial, principalmente na educação especial, em instituições que atendem pessoas com diversos Transtornos Globais do Desenvolvimento, a pedagogia e a psicopedagogia se aplica nas mais diversas formas do aprendizado e requer muita pesquisa, muito trabalho, muita dedicacação, não se resume apenas em “cuidar de criança”, ela vai muito além. 

De todas as estratégias elaboradas, a mais essencial é a participação da família para que estes alunos consigam se integrar. A família tem um papel fundamental, e também são avaliados, porque as pessoas com Autismo necessitam de atenção redobrada, durante 24 horas. Não adianta nada a intervenção pedagógica ter um processo positivo e no âmbito familiar não ter progresso nenhum.

Infelizmente, pude observar que são casos muito comuns e é preciso uma longa caminhada para chegarmos até o rompimento dessa barreira. 

Acredito que a formação dos professores deve ser encarada como a peça chave que irá estabelecer as melhorias na educação brasileira. Claro que sempre levando em consideração que essa formação não conseguirá prever os desafios que no futuro o profissional irá encontrar e o futuro das escolas depende de uma revisão de vários fatores críticos, além do aspecto político e pedagógico. Deve haver novas percepções de método, inserindo as novas tecnologias, modernizando o modelo de intervenção, e assim, finalmente, ter uma educação e escola inclusiva para todos e não simplesmente separá-las.

Acredito no meu processo e onde quero chegar, faço das minhas metas meu soro de vida e sigo não romantizando as gigantescas falhas e emboscadas na trajetória de um educador, mas sigo acreditando na nossa forma de repassar o aprendizado com vigor e muita luta.

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