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Algumas pessoas acham que eu não gosto da minha vida tal como ela está, mas não, não é isso. Eu só estou cansada. Meu cansaço não é só e unicamente porque minha rotina é pesadíssima, ou porque faz mais de 2 anos que eu não durmo lá muito bem, ou porque eu tenho mais contas para pagar do que dinheiro no bolso.

Meu cansaço vem de carregar o peso que o mundo coloca injustamente nos meus ombros porque eu, veja só, sou mãe. Meu cansaço aumenta cada vez que alguém diz que eu não posso fazer algo porque eu sou mãe. Ou quando alguém (ou vários alguéns) me priva do meu direito ao lazer, ou de estudar, ou de existir para além da maternidade. Eu fico ainda mais cansada quando vejo mães sendo culpabilizadas por tudo que aconteça a suas crias ou por tudo o que suas crias (mesmo quando adultas) façam.

Parece que, uma vez que uma mulher se torne mãe, é dela toda a responsabilidade sobre o ser humano com a alcunha de ˜”filho/a”. Não é. É do pai, é dos avós, é dos tios, é da comunidade, é de toda a sociedade em que vivemos.

Uma criança não cresce sozinha sob a redoma dos cuidados parentais. Tá todo mundo envolvido, até você que não gosta de crianças e acha que está tudo bem. Não vejo ninguém responsabilizar o pai pelo abandono, ou pela falha das crias, ou pelas notas baixas ou por nada. Queria ser pai. Ninguém nunca diz que o pai tá errado em sair e deixar a criança em casa.

Ninguém nunca reclama se o pai der mamadeira. Ninguém fala nada se o pai viajar por meses e ficar sem se comunicar com os filhos. Ou os avós, ou qualquer familiar. Como se a criança não sentisse falta de todo mundo.

Como se só a presença da mãe fosse suficiente pra suprir toda a demanda. A maternidade é a forma mais eficaz de aprisionar mulheres, de lhes dizer o que façam, de determinar como se portar, como se vestir, onde ir e o que fazer. Não é a toa que estamos todas cansadas, não de exercer o papel de cuidadora, mas de existir num mundo que sobrecarrega mulheres para não deixa-las livres.

 

Autora: Camila Fernandes

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