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“O trabalho doméstico e o de provimento de cuidado, desempenhados gratuitamente pelas mulheres, constituem os circuitos de vulnerabilidade que as mantém em desvantagem nas diferentes dimensões da vida…impondo obstáculos à participação no trabalho remunerado e na política”. (Flavia Biroli, 2018, p.77)

O cuidado toma tempo. Em média, as mulheres dedicam 10,4 horas a mais que os homens aos cuidados de outras pessoas e afazeres domésticos. Isso vale para mulheres que trabalham fora ou não. (Fonte: IBGE)

O cuidado toma energia. Energia para cuidar dos filhos/sobrinhos pequenos, dos pais/parentes idosos…

Vi um vídeo em que um dos jornalistas comenta que não há barreiras para a entrada de mulheres na política, na esfera pública.  Típico de quem nasceu em uma sociedade patriarcal, machista e prefere continuar nessa zona confortável apenas reproduzindo o que escuta, aprende. 

No mínimo 30% das candidaturas por partido deve ser preenchida por mulheres, por que apenas 12,32% dos cargos é preenchido por elas? (Fonte: Correio Braziliense). Essas pessoas não costumam levar em consideração o contexto em que vivem a maior parte das mulheres no Brasil, nem o tipo de divisão do trabalho que ele mesmo ajuda a fomentar. E ela é sexual. E desigual. 

No segundo trimestre de 2020, o número de mulheres atuantes no mercado de trabalho formal foi de 39,4% em comparação com 57,6% de homens. Não podemos esquecer, ainda, que as mulheres recebem salário 20% menor em relação a eles.  

Se para entrar na política e em atividades na esfera pública é preciso dinheiro, tempo e energia, em que ponto essa conta fecha? 

Se esse trabalho doméstico e de cuidado toma tempo e energia, quais as condições que essa mulher enfrenta para entrar no mercado de trabalho formal?

Candidato a prefeito, promete construir creches públicas ao longo do mandato de 4 anos. Enquanto não estão prontas, garante um auxílio de R$70,00 para que as MÃES deixem seus filhos e entrem/permaneçam no mercado de trabalho tranquilas.

Que tipo de creche consegue-se pagar com R$70,00? Se existem, em quais condições essas crianças são mantidas? Sim, porque com esse valor a quantidade de alunos tem que ser enorme para que um professor receba seu salário mínimo, sem contar com todos os outros custos necessários para manter funcionários, estrutura e uma creche funcionando.

Por que essa responsabilidade e preocupação são jogadas, apenas, no colo da mãe?

Não há barreira? 


Autora: Stefânia Acioli – @tevejomae 

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