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Uma palavra nos encontra e muitas vezes nos desperta reflexões. A palavra exatidão me encontrou por aí despercebida e correndo para ser aquela que cumpre a risca suas demandas (principalmente às de trabalho). Mas tirando essa palavra do contexto do trabalho e buscando uma referência na vida que corre e na sociedade que, a todo momento, nos quer impor padrão, caminhos, discursos e escolhas, me pego pensando na exatidão que é jogada nas costas das mães.

O quanto cabe à mãe ser sempre exata em tudo. Se um filho fica doente, a mãe cabe a exatidão de desde lembrar todos os sintomas (os dias de febre, a consistência das fezes, a quantidade de vômitos) como saber de todos os passos para a cura e a melhora para seu filho. Também cabe à mãe a exatidão das doses dos remédios, dos dias de aula, das chamadas para as provas, de lembrar exatamente os dias de consultas médicas, dos presentes para os amigos.

Cabe à mãe também a exatidão das compras e mantimentos da casa, a exatidão de quanto se deve comprar de tal alimento e mistura.  Mas enquanto a passos lentos a sociedade vai quebrando a maternidade de comercial de margarina, as mulheres têm se unido e se libertado da opressão da maternidade perfeita. A exatidão que nos querem empurrar não será mais aceita.

Nós, mulheres, estamos na luta e em luta por nossos filhos e filhas para que elas possam vivenciar partos com escolha e informação, amamentação até quando quisermos e for viável para mãe e a cria, um mercado de trabalho que não demite no retorno da licença, por uma maternidade livre de qualquer exatidão e cobrança. Nessa luta que surge e explode nas telas, nas ruas, nas redes e em cada espaço e que ninguém poderá deter.

Estamos em bando, estamos juntas e para ser bem exata essa luta já está ganha.

Autora

Mônica, mãe da Alice.

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