Não sei ao certo quando o tempo começou a passar tão depressa.
Ao mesmo tempo, é como se tudo tivesse parado, seguindo apenas o ritmo suave dos teus suspiros. Meus dias passaram a ser medidos pelo abrir e fechar dos teus olhinhos, pelo som da tua respiração tranquila, pelo toque e pelo calor da minha pele aquecendo a tua.
E aquele olhar… ah, aquele olhar que me diz, junto ao som dos teus resmunguinhos: “aqui é o meu lugar seguro”.
No silêncio dourado da madrugada, a magia acontece e tudo ao redor se dissolve: o barulho do mundo, as preocupações, a correria. Só resta a nossa conexão, dentro de um instante que só a gente entende.
Três da manhã. Enquanto lá fora a cidade dorme, aqui dentro meu mundo inteiro cabe no aconchego do meu colo. Ali, eu me dou inteira para que você cresça em força e afeto.
Muito além da nutrição, amamentar é tecer um laço invisível entre dois corações. É servir um banquete de amor, mesmo quando o corpo pede descanso e os olhos pesam. É consolo, acolhimento, presença.
E entendo, enfim, o que o Agosto Dourado quer dizer: o ouro não está apenas no leite como alimento precioso, mas também nesses instantes… pequenos e intensos, passageiros e, ainda assim, eternos. Esse ouro mais precioso não vem da terra, mas do peito… que se entrega sem reservas, sem limites.
O sol já nasceu. O mundo lá fora desperta.
Mas aqui, entre nós, o silêncio dourado ainda nos envolve e eu quero permanecer nele, guardando cada segundo antes que ele se transforme em saudade.
Dhebora Hevelin / @dheborahevelin





