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Hoje dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha de prevenção que temos no “Setembro Amarelo” permanece o ano todo. Com isso queremos aproveitar o momento para falarmos um pouco sobre esse tema tão complexo e delicado. 

A Organização Mundial de Saúde (2012) considera o suicídio como um problema de saúde pública, sendo que por ano cerca de 12 mil pessoas se suicidam no Brasil e no mundo mais de 1 milhão de pessoas a cada ano. Não estão incluídos nesses índices os números de tentativas, o que seria ainda maior. No Brasil o suicídio tem aumentado principalmente entre jovens e adolescentes. 

A Associação Brasileira de Psiquiatria considera alguns principais fatores de risco, como: tentativa prévia de suicídio, transtorno mental (depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas, esquizofrenia) e sentimentos de desesperança, desespero e desamparo, sendo a desesperança um fator relevante mesmo na ausência de sintomas depressivos, idade, gênero, fatores sociais, história familiar e genética, eventos adversos na infância e adolescência, doenças clínicas não psiquiátricas.

Contudo o suicídio é um tema bastante complexo assim como os fatores que o envolvem. Estes são multifatoriais e resultado de uma complexa interação entre si.

A morte ainda é um tabu na nossa sociedade, sendo o tema pouco explorado e falado por nós. Temos uma tendência a evitar a morte até porque ela nos remete a nossa própria morte e as angústias que a permeiam, como os sentimentos de impotência e finitude.

Se o assunto sobre morte é um tabu, imaginem só falar sobre suicídio. Ao lidar com o tema, ideias moralistas, religiosas e preconceituosas vem à tona. Como por exemplo a ideia de que o suicídio tenha sido um ato de covardia, coragem ou fraqueza. E para que se possa prevenir o suicídio é importante pensarmos e falarmos sobre ele, desmistificando crenças e preconceitos para que se desconstrua um tabu que é histórico. 

Vale ressaltar a importância de se criar espaços de diálogo para falar sobre os próprios sentimentos sem críticas ou julgamentos. Seja no âmbito familiar, social, escolar, institucional, de saúde, entre amigos e onde mais for possível. 

Ao longo da vida passamos por diversas “mortes”, como se fossem pequenos ensaios antes da morte propriamente dita. Ao nascer perdemos o espaço caloroso e protegido do útero materno para se ganhar a vida lá fora, passamos por separações, despedidas, perda de entes queridos, término de namoro, perda de órgão ou alguma perda física, entre outras situações. 

A meu ver, como psicóloga, temos nesse tema talvez o nosso maior desafio. No processo psicoterapêutico encarando a morte e o morrer com suas várias implicações e nuances, buscando no processo encontrar saídas para seus conflitos que não seja a morte em si, mas a morte simbólica de partes que habitam o ser mais íntimo do sujeito. Mergulhar e ajudar a pessoa a descobrir quais são os anseios de sua alma ao se desejar a morte, e caminhando juntos encontrar possibilidades criativas de transformação e renascimento sem que a morte física seja alcançada.

Vale lembrar que todas as pessoas podem contribuir com a prevenção do suicídio. Ouvir os sentimentos daquele que está em sofrimento com atenção, sem críticas ou julgamentos e apoiá-lo na busca por ajuda profissional pode ser fundamental. 

Dica importante: O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. *Ligue 188

**A profissional se dispõe a fazer atendimentos online para todo o Brasil e Presencial para São Paulo, aos leitores da revista. Entre em contato.

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