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Não sei bem o que poderia me tornar mais apta a cuidar de um menino e não de uma menina. A violência de gênero é tão cruel e normalizada que tenta até nos tornar menos apta ao maternar de acordo com o órgão sexual de nossos filhos.

Se tem algo que não falta nesse lar é carinho. Há amor, paciência, compreensão e até nos picos de exaustão há toda a delicadeza e cuidado necessários para se cuidar de uma criança. Seja ela menino ou menina.

Meu jeito de ser deve realmente impactar o crescimento da Maria. Ela vai crescer sabendo que deve se posicionar, que não abaixará a cabeça para ninguém, que ser mulher é uma luta e que ela infelizmente tem que enfrentar batalhas todos os dias.

Maria pode ser fofa, carinhosa e delicada se quiser. Mas minha maior missão é que ela não confunda essas atitudes com o silenciamento e submissão que a sociedade propõe para ela.

Se meu filho fosse um menino eu teria outras mil batalhas para enfrentar na missão de torná-lo livre para ser como quisesse. Conheço mães e pais de meninos que me dão esperança sobre as pessoas que cruzarão o caminho de Maria.

Eu não sou boa mãe de menina ou de menino. Eu sou boa mãe do que minha filha decidir ser na vida. Eu sou a companheira das decisões que ela tomar e, como mulher, eu sou quem mais entende as amarras às quais ela já nasceu presa.

A história de vida que construí não define as aptidões do meu maternar. Há responsabilidade, amor e companheirismo para essa família, independente de sexo biológico.


Autora: Eu sou a Renata, mãe da Maria, de 10 meses. Escrevo desde os 12 anos e já tive alguns blogs. Parei há 4 anos, mas o nascimento da Maria me fez voltar a escrever e tentar me conectar com mais mulheres através do meu Instagram @reninha_a.

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