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– Eu não quero ter esse filho!

Durante os últimos dezessete anos esse foi o único desabafo que fiz desde que me descobri grávida de duas semanas aos dezenove anos de idade. Eu tinha um trampo legal apesar de não ter graduação na época e estava fazendo cursinho para justamente começar um curso superior e, assim, descolar um trampo mais legal. Tinha terminado há uma semana um relacionamento de quatro anos (e sem futuro) com o pai do bebê. Me sentia no “caminho certo” quando, de repente, engravidamos porque um dia me esqueci de tomar o anticoncepcional.

Esse meu único desabafo (e estou sendo extremamente sincera quando digo que foi o único) não tinha nada a ver com aborto até porque eu não tinha ideia de como fazer um e minha educação religiosa certamente bloqueou essa opção. Apesar de questionar essa educação desde muito nova, eu sempre me imaginei: mãe solteira, trabalhando e morando na Avenida Paulista.

Esse desabafo estava mais relacionado com o medo e com o fato de eu nunca ter imaginado que seria mãe tão cedo! Esse receio nunca me abandonou.

Sempre fui uma pessoa extremamente insegura, mas durante todo esse processo descobri uma força interna incrível. Até hoje não consigo afirmar se o motivo foi a maternidade ou a transição para a fase adulta (afinal, na minha história, as duas fases estão totalmente interligadas). Passei por um período bem determinante: voltei para um relacionamento fadado ao fracasso, parei de trabalhar por dois anos depois que a minha filha nasceu e me vi completamente anulada. Não sei dizer ao certo qual foi o exato momento ou o que motivou essa epifania, mas um dia simplesmente entendi que se eu quisesse que minha filha fosse feliz (e essa era minha única certeza desde o dia em que ela nasceu) eu teria que ser muito feliz também!

E foi aí que comecei do zero, um passo de cada vez (não maior do que eu poderia dar) e aos poucos me encontrei comigo mesma novamente. Ainda estou nessa caminhada em busca da felicidade, mas me permitindo ficar feliz com cada conquista.

Hoje a frase mudou para: – Eu não quero ter mais filhos!

Pelo menos não naturais, pois ainda penso em adotar. Não que a maternidade tenha me traumatizado física ou psicologicamente, mas porque hoje essa escolha é só minha e eu tenho um baita orgulho desse meu direito!

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