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Se você é mãe e nunca recebeu uma mensagem com a frase: “Fala-se tanto na necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta”, então parabéns, você é uma mulher de sorte (ou não tem whatsapp). E eu confesso ficar muito irritada quando recebo tal presepada, especialmente de pessoas com o pensamento fechado, sem empatia e conservador.

“Quando vamos deixar filhos melhores para o mundo?” eles bradam. Pois eu vim aqui responder.

Quando começarmos a nos lembrar de como nos sentíamos quando éramos crianças, onde tudo era enorme e nós éramos pequenos demais para tudo.

Quando entendermos que crianças têm uma visão e sentem tudo diferente de nós adultos.

Quando pararmos de achar normal dizer “não gosto de crianças”, pois se trocássemos a palavra “crianças” por negros, mulheres, gays, judeus, nordestinos, etc, seríamos enormemente repreendidos (e com toda razão).

Quando compreendermos que ter direito de escolher se queremos ou não ser mães não nos dá o mesmo direito de desejar a morte de crianças, de chamá-los de catarrentos ou de chamar as mães de parideiras.

Quando entendermos que o estudo de gêneros é importante sim para quebrar tabus, paradigmas e opiniões embasadas em pura ignorância.

Quando compreendermos que criança tem que ser criança, não um mini robô lotado de atividades extracurriculares, que nem sempre fazer balé, judô é algo que é bom, pode ser apenas mais uma obrigação de uma criança que não tem tempo de rolar na lama e dar risada ou viajar no mundo da lua com suas miniaturas de dinossauros.

Quando compreendermos que não existe brinquedo de menino ou de menina.

Quando entendermos que crianças têm sua própria personalidade, que não “tirou isso do pai” ou “tirou isso da mãe”, mas que são seres individuais que merecem respeito.

Quando lembrarmos que é no mínimo injusto cobrar das crianças e adolescentes comportamentos que nem os adultos têm, que eles não são nem jamais serão perfeitos, assim como nós.

Quando pararmos de achar que nós temos mais direitos sobre os filmes de animação ou os desenhos animados que foram do nosso tempo e agora são diferentes, sendo que há muitos anos não somos mais o público alvo deles.

Quando pararmos de proibir e excluir crianças dos nossos espaços e, ainda por cima, querermos invadir os espaços pertencentes a ELES achando a coisa mais normal do mundo (sim, caro amigo, o pula-pula não foi feito para você).

Quando pararmos de romantizar a maternidade.

Quando pararmos de querer desprincesar as meninas e começarmos a empoderar aquelas que querem ser princesas (e não tem nada de errado nisso).

Quando lembrarmos que adolescentes têm uma forte influência hormonal, onde tudo se torna bem maior do que realmente é, e que isso com a pressão de ter que trabalhar para ajudar a família ou mesmo ter o privilégio de somente estudar em casa para um vestibular, também é uma pressão enorme que pode levar à depressão e ao suicídio.

Quando finalmente mudarmos a nossa postura sobre eles, quando finalmente baixarmos a guarda e assumirmos que não somos os adultos todo poderosos que fingimos que somos e que aprender com crianças e adolescentes não é vergonhoso, que ser compreensivo, empático e amoroso não é errado.

Em poucas palavras: Quando MUDARMOS O NOSSO COMPORTAMENTO. Aí sim, deixaremos filhos bem melhores que NÓS para o planeta.

A mudança que queremos neles depende do nosso exemplo.

Autora

 

Mãe, cabeleireira, conselheira e blogueira! Tem mais utilidades que um canivete suíço.

 

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