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Desde que minha filha nasceu, a embalo cantando a cantiga popular “se essa rua fosse minha”. 

Ao me prender na segunda parte da música “nessa rua, nessa rua tem um bosque, que se chama que se chama solidão. Dentro dele, dentro dele mora um anjo, que roubou, que roubou meu coração”, chego à conclusão de que só pode ter sido escrita por uma mãe.

O bosque sem dúvida é a maternidade, e o anjo, naturalmente, o amado rebento.

A solidão materna é a mais latente das características que nascem junto com o bebê. Eu moro em outro país, longe da minha família e tive um bebê durante a pandemia, então eu posso dizer que vivo a solidão de forma intensificada. 

No começo era algo assustador. Me deparar com pensamentos de que poderiam acontecer um milhão de coisas comigo e com meu marido e deixar nossa bebezinha tão sozinha. 

Com o passar do tempo passou a ser uma tristeza e hoje em dia não passa de um incômodo. 

Parece óbvio, mas eventualmente o bebê que antes era a razão da sua solidão, passa a ser a companhia. Passa a ser um ser que fala, que anda, que entende, responde e dá opiniões.

Essa é outra característica curiosa da maternidade, o fato de termos de repetir mil vezes obviedades para nós mesmas (e não raro para os outros também). Mas isso é assunto para outra discussão.

Meu ponto é que, por mais obscuro e solitário que o bosque possa parecer, nós precisamos ter em mente que ao crescer, esse serzinho muito especial que gestamos vai desabrochar de maneiras que nunca imaginamos.  

Vai encher aquele bosque de vida e um dia vai nos pegar pelas mãos e levar para além dos limites desse bosque, para dentro de um mundo que outrora fazíamos parte e agora retornamos com vida nos braços e o coração cheio de amor. 


Texto: Ana Luisa Manfrin Teixeira – Instagram: @analumteixeira.


Texto revisado por Cristiane Araujo.

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