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Quando observo meus amigos e amigas em suas vidas familiares, bem como a minha própria experiência, percebo um número significativo de casais que entra em conflito a respeito da educação dos filhos. 

De um lado, um dos pais acredita que o outro é permissivo ou permissiva e, de outro, há aquele que acredita que os castigos e punições são o único modo de criar um adulto responsável. 

Um filho, no contexto de punições e castigos, não deve ser educado para desafiar ou questionar as decisões dos pais. A obediência deve ser incondicional. Na minha humilde opinião, não há receitas. 

No entanto, considero que faço uma escolha ao educar a minha filha que me gera um grande esforço. Ao conversar com o seu pai a respeito dessa escolha, explico que, ao educar a minha filha, eu não a educo para se relacionar comigo ou com ele. Meu esforço é educá-la para se relacionar com todas as outras pessoas do planeta quando eu não estiver lá para protegê-la ou orientá-la. 

Ensino, ainda, a se relacionar consigo mesma, impondo limites às suas atitudes e aos seus relacionamentos. Por esse motivo, busco oferecer a ela o maior número possível de informações para que ela seja capaz de tomar decisões assertivas no futuro, quando eu não estiver lá. 

Ela é informada diariamente sobre os efeitos do consumo excessivo de açúcar, gorduras saturadas e ultraprocessados e do consumo excessivo de maneira geral. É uma escolha difícil, porque nem sempre a informação tem o efeito esperado na tomada de decisão. Mas foi uma alegria imensurável vê-la decidir, espontaneamente, que não comeria mais nuggets ou carne. 

Uma alegria maior é vê-la decidir cooperar com as tarefas domésticas ou aprender inglês por meio de um aplicativo. Quando ensino sobre não aceitar que um homem defina o que ela irá vestir, não estou competindo com o seu pai, mas ensinando com ela irá se comportar com todos os homens que conhecer quando não estivermos lá. 

Eu realmente não sei se estou fazendo certo ou errado e não acredito que exista uma régua para isso. No entanto, faço uma escolha política, ideológica e filosófica todos os dias de criar um ser humano responsável e independente por meio de uma educação que não sei se é ou não permissiva, mas que se esforça para ser emancipatória e não-violenta. 


Autora: Fernanda Muniz é Pedagoga e mestre em educação, analista de projetos na Fundação Julita, doutoranda em educação, ciências e saúde na Universidade Federal do Rio de Janeiro e mãe da Ana Flor. Instagram: @femunizsan.

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