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Antes de tudo, o que me define é a maternidade. Tenho 3 filhos, e sou divorciada.

Saí de uma relação conturbada, extremamente abusiva em todas as formas. Já sofri, entre outros tipos, violência física. Já fui manipulada emocionalmente ao extremo a ponto de perder o controle emocional. Já fui humilhada a ponto se não saber mais minha identidade, o que eu via era só o que ele achava de mim. Tenho todo tipo de cicatrizes internas.

Mas nada me feriu mais do que ver o quanto a presença de um ambiente violento afetava meus filhos. Ver o medo neles, ver se tornarem inseguros e se refrearem da própria infância para não me sobrecarregar, talvez eles tenham se sentido culpados também. Isso me levou a tomar uma posição nada fácil e nem rápida a favor do direito dos meus filhos terem uma vida digna, de paz, com direito a se expressarem, terem alegria e serem crianças. 

Como mulher, isso transformou minha vida por inteiro. Foram várias adaptações, econômicas, no meu círculo social, na demanda agora incessante de tempo e energia. Abri mão de parte de mim. Adiei sonhos e mudei prioridades, me redefini como pessoa, desisti de muita coisa.

Antes de tomar qualquer decisão preciso pensar neles, é meu dever. Adiei até a formação da minha própria identidade, interrompida quando investi tudo de mim até a exaustão nessa relação. Eu me deixei para depois…Olhar para sua própria vida e às vezes não se reconhecer nela é doloroso demais…

Choro muitas vezes há dias que me sinto morta por dentro. Sinto muita raiva! E como consequência, culpa, porque eles não tiveram o direito de escolha, a responsabilidade é só minha. Em muitos dias tudo que eu não queria é ser mãe. Nessas horas, eu preciso e tento com todas as forças silenciar a mente, ajustar o foco e me lembrar o porquê das minhas escolhas. 

Nesse momento, penso nos bebês que já tive nos braços. É preciso muita força e extrema delicadeza para cuidar de um bebê. Você precisa silenciar tudo a sua volta e se concentrar apenas naquele cordão invisível que te liga eternamente a essa vida. Sentir sua cria! E por mais que maternidade te deixe as vezes perdida, quando você coloca a criança junto ao peito, sente pele com pele, você simplesmente sabe. 

Sabe que esse elo que te liga é sólido e eterno,e que te faz eternamente responsável por aquela vida, em todos os sentidos. Meus bebês cresceram, mas o elo está ali. E por mais que eu precise enfrentar o mundo, lidar com sobrecarga física e emocional, carregar stress, dívidas, me ver envelhecendo e até abrir mão da minha felicidade, eu sei que esse é o meu lugar no mundo. 

Eu escolhi pela felicidade plena dos meus filhos. E enquanto eles precisarem da minha força pra isso, incessantemente eu vou lutar.

Autora: Mariane Tinoco

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