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Pensei muito em escrever sobre educação nos últimos dias. Tenho filhos, 3 para ser mais específica, e não é somente pensando neles que fico presa no quesito educação. Trabalhei na área, então, percebo que os alunos saem da escola com um mega currículo acadêmico e pouca vivência.

Será que isso é possível?!

Sim! São feras em gramática, álgebra e química, sabem fórmulas e regras de aplicação, mas não fazem ideia do que representa o “mundo aqui fora”, mais alguma mãe está comigo? 

O ambiente escolar foi ao longo dos anos se tornando um espaço complexo, responsável por desenvolver habilidades em nossos filhos e claro garantir uma boa colocação em universidades, porém, o que não contávamos era que no meio de um ano qualquer uma pandemia fosse assolar o país e nos colocaria frente a responsabilidades educacionais que não fazíamos ideia existir. 

As aulas extras, as tarefas, os horários controlados e os quilos de matérias não fazem de nossos filhos crianças fáceis de lidar, o ambiente escolar faz toda diferença para que o plano educacional funcione, sem ele, os espaços ficam vagos e as brechas aparecem.

Não há dúvidas de que na primeira semana de quarentena todos os pais já sabiam o valor real de um professor, já estavam até pensando nos presentes que dariam para eles assim que as aulas retomassem, mas a questão aqui é outra.

Muitos alunos estão em casa, foram “colocados” em uma situação de aprendizagem totalmente diferente do convencional, muitas famílias estão dividindo o único espaço e material digital que possuem, as aulas estão a todo vapor para cumprir um calendário já desestabilizado e os alunos correndo atrás do ano que por vezes nos parece perdido, nada me tira da cabeça que a desigualdade educacional está claramente escancarada nesta pandemia. 

Os alunos saem preparados exatamente para quê? 

O mais “duro” da vida adulta é saber gerenciar emoções, respeitar as pessoas e conseguir estabilizar o dia a dia, o que não é nada fácil, todos os dias passamos por confrontos diretos e buscamos soluções, olhando para meus filhos imagino que talvez eles não saibam o que os espera lá fora. 

No meio do dia, após cumprir parte das aulas dos meninos, (sim, parte porque não consigo trabalhar em home office, acompanhar as tarefas deles, dar conta dos afazeres da casa e ainda estar viva ao final do dia), me pergunto o quanto eles absorveram de conteúdo, o quanto isso valeu e o quanto ainda falta, dois dos meus filhos são pequenos e não conseguem realizar as tarefas sozinhos, preciso ficar com eles durante todo o período, isso teoricamente é lindo, estamos com um vínculo maravilhoso, mas não é fácil… imagino como as mães que estão trabalhando lá fora estão dando conta de todo esse processo. 

Creio que a verdade sempre esteve diante de meus olhos, nossos filhos não precisam de um mega currículo, eles precisam de tempo, do nosso tempo, todo esse conteúdo que está sendo aplicado para eles não servirão para prepará-los para as emoções que precisarão no futuro, as escolas com o passar dos anos foram condicionadas a oferecer “cada vez mais”, criaram o extra do extra e os pais por dançarem conforme a música foram aceitando esses termos, afinal também estão atolados de trabalhos e responsabilidades na outra ponta. 

Quem mais precisa de atenção nesse momento são os estudantes, pois ora estão num complexo educacional, ora estão em casa precisando sem imposição trabalhar a mente, e é exatamente aí que vemos a defasagem, a construção acadêmica não foi feita, ela foi imposta, como muita coisa na vida, porém, sem a construção ela não tem valor, torna-se uma obrigação, e uma simples atividade feita no site ou aplicativo da escola não representa quem eles são de verdade.

As aulas online como vemos  no exterior possuem outra dinâmica, elas não são aplicadas com hora marcada e com chamada ao vivo, elas são feitas no ritmos das famílias, às vezes demora meses para que as famílias achem o ritmo ideal, podemos ler muito, podemos tentar ajustar nossos calendários e nossos horários, a verdade é que ao final do dia a sensação de insatisfação ainda estará lá, isso porque a construção da educação a distância não foi feita, e as vezes nossas expectativas como pais em cima das crianças é surreal! 

O ensino a distância foi criado para que o aluno escolhesse o melhor momento para realizar as tarefas, isso porque no EAD as aulas não precisam ser marcadas, e é exatamente esse fator que difere o ensino a distância do presencial, se você estiver fazendo com seu filho alguma atividade estruturada como por exemplo: ler, jogar, cozinhar, regar as plantas, parabéns… você já está conseguindo fazer algo mágico e com certeza ficará na memória da criança, isso tem um valor muito maior do que horas de conteúdo. 

Acreditem, conteúdo é importante, mas não é tudo nessa vida. Tudo nessa vida é tornar-se uma boa pessoa, respeitar o próximo, amar a si mesmo, trabalhar com amor e dedicação naquilo que gosta, portanto, mães acalmem o coração, não tem problema nosso filho não ter expertise em álgebra, as vezes a habilidade dele é teatro. 

A pandemia colocou “ordem” nas prioridades das famílias, creio fielmente que esse ano ficará marcado na história, não somente pelos fatos de saúde, mas como o ano em que mostrou o verdadeiro lugar da escola, e o quanto estávamos “perdendo” para ela. 

Não se preocupe, nossos filhos não perderão o ano acadêmico com essa pandemia, nada tão grave faltará em seu currículo escolar, ao contrário, eles estão ganhando aquilo que há tempos a modernidade tenta nos tirar: O Tempo. 

Espero que aproveitem o tempo.


Autora: Fabiana Matos. Sou educadora e agora atuo na área de marketing digital, escrevo alguns anos já mas só posto em minhas redes, seria muito bom mesmo ter textos publicados e poder compartilhar um pouco da vida “de todo dia” com outras mulheres e mães.

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