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Um dia, entre pessoas conhecidas, minha bebê de um ano e pouco pediu pra mamar várias vezes, eu a peguei no colo e ofereci meu peito. Não era fome, era afeto, amor. Inevitavelmente, ouvi: Ela ainda mama? Vai mamar de novo?

Quando o bebê nasce, espera-se que a mãe amamente. Ela precisa aprender logo. Compreender a pega correta. Lidar com a dor, as fissuras, a descida do leite. Ela precisa dar o peito a cada três horas, o tempo todo, em livre e absoluta demanda. O bebê precisa ganhar peso, o leite materno é o melhor alimento do mundo, o mais rico e protetivo. É importante que o bebê mame de madrugada, pois é quando a produção do leite é maior. Se a mãe precisa se afastar, é imprescindível que ela ordenhe, que aprenda a fazê-lo e armazene corretamente. Se o bebê tem alergia, refluxo etc, a mãe precisa mudar sua própria dieta. Corta lactose, corta isso e aquilo. Sem falar no vínculo. Amamentar fortalece o vínculo entre mãe e bebê. A troca de olhares, o toque, o colo.


São seis meses de dedicação, estudo e aprendizado. Ao longo desse tempo, aquela mãe que não sabia nada, e quis desistir tantas vezes, – porque estava cansada, sentia dor, não compreendia o ritmo do bebê, precisava dormir etc – ela, finalmente, pegou o jeito, eles se entenderam. 

O bebê tem outras fontes de alimento, a pressão que a mãe carregava dentro de si já não existe mais. Agora, quando o bebê mama, a mãe não confere se a pega está correta. Ela observa os olhos, as mãos, as pintas que já vão surgindo, o cabelo que ganhou um tom mais claro, o sorriso que escapa quando ela diz uma gracinha. 

Mas isso dura pouco. Quando o bebê completa um ano, a pressão é contrária. O bebê já é grande, se alimenta, anda, não precisa mais do peito. Aliás, o leite materno já virou água a essa altura do campeonato (oi?). O bebê só faz o peito de chupeta, e por isso não dorme a noite toda. Não tem mais essa de vínculo. Se continuar mamando, vai se acostumar mal, o bebê vai ter cárie. É feio um bebê grande no peito da sua mãe. 

O mesmo bebê, a mesma mãe, o mesmo peito. Há pouco tempo, um retrato do que é correto. Eles mal tiveram tempo de aprender e vivenciar. Agora dizem que precisam se separar.

Deixem as mães em paz!


Autora: Meu nome é Luciana, mãe da Flora, de dois anos. Sou advogada contratualista há mais de 10 anos, e atuo com paixão na minha profissão. Mas também me divido entre os contratos e a escrita materna, um hábito que venho tentando profissionalizar, porque foi ele que me ajudou no reencontro comigo mesma, após o puerpério. Insta: @lugodoi.

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