Poesia – “Nasce um filho, nasce uma mãe”

A máxima pode ser verdadeira, mas esse nascimento nem sempre… raramente… ou quase nunca… é tão intuitivo, espontâneo ou sutil! A emergência como mãe, em uma sociedade desigual, patriarcal, que controla escolhas, vigia os corpos e pune as decisões, não é uma tarefa (mais uma) simples.

Ser mulher, esposa, irmã, filha, trabalhadora, dona de casa e inúmeros outros papéis sociais que assumimos, juntamente com a maternidade, faz com que o “parir” a maternagem venha acompanhado de alguns (para não dizer vários) “medos”, que foram transformados, no fazer cotidiano, em palavras…

Uma pausa (para mãe, tem que ser pequena e rápida) para refletir a Vida em Verso!

“Nasce um filho, nasce uma mãe”. Mas nasce também:

O medo da responsabilidade

E da falta de liberdade,

O medo do vento frio

E de ter um “peito vazio”,

O medo do dia da vacinação

E da casa sem arrumação,

O medo da insônia

E, mais ainda, da crítica que vem sem cerimônia,

O medo do resfriado,

Pior se o choro não for consolado,

O medo do ganho de peso

Tem que crescer o bebê indefeso,

O medo dos gastos… da falta de dinheiro

Como fechar as contas do mês inteiro?

O medo de voltar a trabalhar

E não ter com quem deixar… será que vão cuidar?

O medo da temível cólica,

Sempre ao final da tarde bucólica,

O medo do atraso,

Vão acreditar que não foi descaso?

O medo da exigência por produtividade,

Mais grave se não for com agilidade,

O medo da mulher nunca mais se encontrar

O corpo… a disposição… o desejo… onde foram parar?

O medo do primeiro filho não se sentir mais amado

Será que vou dar conta de amar dobrado?

O medo do desafio da amamentação

Sem rede de apoio… imagina a exaustão!

O medo de ser mãe depois dos 35

Tem que fazer tudo com afinco!

O medo de encarar a iniquidade

Alguém já conhece a parentalidade?

O medo de enfrentar o puerpério

Desvendar o motivo do choro… às vezes, um mistério!

O medo do cruel julgamento

Já alcançou o “marco de desenvolvimento”?

Mas, junto do MEDO, e maior do que ele, vem também a OUSADIA:

De querer amar todo dia,

Defender sempre a cria,

Driblar a correria,

Enfrentar a misoginia,

Fazer da vida uma melodia,

Sentir o amor que contagia,

Lutar por equidade e autonomia,

Ser abrigo e calmaria,

Deixar a alegria fazer moradia,

Desfrutando da “pequena” companhia,

E, com CORAGEM e RESISTÊNCIA… transformar a VIDA em POESIA!

Por Rafaela Siqueira Costa Schreck – @rafinhasiq.schreck

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