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Olhava aquele céu limpo e brilhante, num fim de tarde de domingo, e lembrava porque azul é minha cor preferida.
Mergulhada entre o céu azul e o verde das folhas das árvores, sonhei com o que passou.
Lembranças da infância, adolescência, escola, amigos, comidas afetivas, encontros, desencontros, danças, aulas, leituras.

Lembrei da vida.
Do tempo.
Implacável como ele, não deixa nada ficar. Tudo passa.
Tem um ditado que diz “com o Tempo, nem Deus pode.”
Ele parece correr algumas vezes, mas em outras se arrasta.
A verdade mesmo é que ele passa.
Mas descobri que eu posso passar pelo tempo. E não ele passar por mim.
Eu passo pelo tempo e aprecio sua vista, aproveito o que ele me oferece em cada pequeno instante da vida. Não deixo ele passar em vão.
Penso “nunca mais esse exato momento vai voltar, então preciso aproveitá-lo ao máximo”.
Se eu não quiser passar pelo tempo, ele vai passar por mim de qualquer jeito. Então que seja prazeroso, que seja consciente.
Quantas vezes dizemos “vamos, não temos tempo a perder!”. O tempo não é perdido. Quando se acha que está perdendo tempo, na verdade, está ganhando vida. Portanto, a ideia de tempo perdido, é a ideia de vida perdida. E ninguém quer perder vida, não é mesmo?
É fato que nem sempre fico feliz quando passo pelo tempo.
Me alegro de passar por ele toda vez que meu filho dá gritos de alegria por estarmos brincando ou quando sorri enquanto o amamento. Mas confesso que não gosto de passar pelo tempo quando ouço choros no meio da madrugada sonolenta.
Como não tem jeito, o tempo vai passar mesmo, pratico a máxima “o agora não volta”.
Henrique nunca mais terá 11 meses. Essa é minha única oportunidade de aproveitá-lo aqui e agora.
Só hoje será hoje.
Amanhã o hoje será ontem e lá se foi mais um tempo.

 

 

Autora: Fernanda Misumi

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