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Logo que descobri que estava grávida fui tomada pelo turbilhão de emoções, medos e (des)informações. Em meio a eles escrevi essa pequena nota tentando agradecer minha mãe por tudo que ela representa para mim.
Engravidar parece que girou uma chavinha em mim e redimensionou o papel da minha mãe na minha vida. Pela primeira vez consegui enxerga-lá como uma mulher antes de ser mãe, consegui começar a compreender as mudanças pelas quais ela teve que passar para  que eu fosse quem sou hoje.
Mãe,
Obrigada por ter se colocado de lado para que eu pudesse existir. Obrigada por abrir mão do seu corpo, da sua individualidade, do seu trabalho, do seu tempo sozinha, dos amigos.
Dos pequenos prazeres que tinha, como tomar sol ou comer besteira, porque não faz bem ao bebê.
Obrigada por sofrer para me colocar no mundo. Por sentir dor e medo e uma enorme carga de responsabilidade.
Obrigada por me amamentar mesmo em meio a lágrimas de dor.
Obrigada por todas as noites mal dormidas para garantir que eu dormisse bem. Obrigada por se preocupar se eu estava agasalhada para ir cedo a escola.
Obrigada por ser despertador e motorista.
Obrigada por ser psicóloga e ainda ouvir que a culpa era sua.
Perdão se alguém dia não te fiz sentir maravilhosa por quem você é. Perdão pelas batidas de porta, pelos palavrões e pela ironia ácida que uso quando estou irritada. Perdão por descontar em você minha raiva do mundo. Perdão se algum dia fiz você achar que não era a melhor mãe do mundo, porque você é.
É chegada a hora da profecia: “Você vai ver só quando tiver filhos.”. Eu vou mesmo mãe, e espero que eles tenham a mesma sorte que eu.

Autora:

 Paula, pedagoga e espiritualista. Experienciando a maternidade real enquanto tenta mudar mundo.

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